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PROTEÇÃO

Moçambique recupera população reprodutora de rinocerontes-brancos após décadas

8 de julho de 2026
Mônica Nunes
4 min. de leitura
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Foto: Peace Parks Foundation

A translocação de nove fêmeas de rinocerontes-brancos da Reserva de Caça de Manketti, na África do Sul, para o Parque Nacional de Zinave, em Moçambique, marcou os esforços de cerca de dez anos de reintrodução de rinocerontes (brancos e negros) no parque.

Após 40 anos de extinção local, o objetivo em tantos anos de trabalho – que incluíram a reconstrução da área protegida, destruída na Guerra Civil – era estabelecer populações reprodutoras viáveis ​​das duas espécies, garantindo o status de Zinave como o primeiro parque nacional de Moçambique a abrigar os Big Five* (leão, leopardo, elefante africano, búfalo-africano e rinoceronte) e criando oportunidades para o turismo, a geração de empregos e negócios locais.

As fêmeas chegaram ao parque em 6 de junho –, após operação de translocação de 1.650 quilômetros através de dois países da África Austral, que durou dois dias sem intercorrências –, e se juntaram a outros 30 rinocerontes-brancos (Ceratotherium simum) e 22 rinocerontes-negros (Diceros bicornis).

“Esta translocação marca um capítulo de orgulho e esperança na trajetória de conservação de Moçambique”, declarou Pejul Calenga, diretor-geral da Administração Nacional das Áreas de Conservação de Moçambique, no dia em que elas chegaram.

“Ao trazer os rinocerontes-brancos de volta a Zinave, não estamos apenas garantindo o futuro de uma espécie-chave, mas também restaurando o equilíbrio do ecossistema, criando oportunidades de investimento na economia da vida selvagem, apoiando o desenvolvimento das comunidades locais e demonstrando o que é possível alcançar quando parceiros trabalham juntos em prol da natureza”.

Parque silencioso

De 1977 a 1992, Moçambique foi vítima de uma das piores disputas de poder do período pós-colonial na África. E foi durante a Guerra Civil, nesse período, que o país perdeu praticamente todos os exemplares de várias espécies de grandes animais.

Isso aconteceu devido à caça ilegal desenfreada e à perda do controle sobre as áreas rurais, levando à extinção local de rinocerontes e outras espécies da vida selvagem. Por isso, Zinave, situado ao longo do rio Limpopo (faz fronteira com o Zimbábue) e que abrange cerca de 4.090 km2 na província de Inhambane (ao sul do país), já foi chamado de parque silencioso.

“Quase dava para sentir a escassez de vida — de insetos, pássaros, cheiros e sons”, contou Antony Alexander, gerente regional da Peace Parks Foundation, organização sem fins lucrativos de conservação que administra Zinave, à agência Mongabay.

A Peace Parks Foundation supervisiona a proteção e o desenvolvimento sustentável em dez áreas de parques transfronteiriços na região subsaariana e é a organização responsável pelo esforço hercúleo de povoamento do parque.

A partir de 2022, uma quantidade impressionante de animais (2.540) de 16 espécies diferentes foi transferida de países vizinhos para Zinave. Entre elas estão rinocerontes negros (criticamente ameaçado de extinção) e brancos, a zebra-de-selous, o elefante-da-savana-africana (7), o leopardo, a hiena-malhada, além de girafas, zebras, antílopes-sable, impalas, reduncas, cobos e búfalos.

Futuro centro de reprodução?

E durante o período de reintrodução, os rinocerontes reproduziram especialmente: o primeiro filhote a nascer foi de rinoceronte-negro, em 2021. Em junho do ano seguinte, nasceu o primeiro filhote de rinoceronte-branco (apenas duas semanas após a chegada do primeiro grande grupo trazido da África do Sul) e, em outubro de 2024, o parque celebrou a chegada de sete filhotes, sendo apenas um negro. De lá pra cá, foram gerados mais cinco, também negros. Todos fortes e saudáveis.

No futuro, quem sabe o Zinave se tornará um centro de reprodução e poderá ajudar a povoar outros parques de Moçambique. Para Alexander, a população de rinocerontes-brancos “tem potencial para se expandir por todo o território de Moçambique”, por exemplo.

Os jardineiros do parque

Por que rinocerontes são tão vitais para um ecossistema como o de Zinave? Porque consomem grandes quantidades de grama, ajudando, assim, a prevenir riscos de incêndio, já que, em condições mais secas, o excesso de vegetação pode facilitar a propagação de queimadas.

“Imagine não ter rinocerontes no parque! Essa era a situação no Parque Nacional de Zinave quando começamos, há 10 anos. Estávamos com níveis muito altos de grama, o que representava um grande risco de incêndio”, contou Alexander ao Mongabay.

O especialista explicou, ainda, que a vegetação rasteira torna o habitat mais propício para espécies como impalas, gnus e diversos insetos e aves.

*Big Five: o termo foi criado no século XIX por caçadores para se referir aos cinco animais mais perigosos e difíceis de serem caçados a pé: leão, leopardo, elefante africano, búfalo-africano e rinoceronte. Com o tempo, o conceito ganhou status mais nobre, se tornando foco de safáris fotográficos.

Fonte: Conexão Planeta

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