Transformar animais em objetos de entretenimento continua sendo uma das faces mais abusivas do mundo digital. A celebração de torcedores cabo-verdianos após o empate diante da Espanha, no jogo da Copa do Mundo na última segunda-feira (15/06), ganhou notoriedade nas redes sociais por uma razão que transcende o futebol de forma lamentável.
Em Atlanta, nos Estados Unidos, influenciadores surgiram carregando cabritos durante a comemoração para fazer alusão ao termo G.O.A.T., expressão em inglês utilizada para designar o maior de todos os tempos. A referência era dirigida ao goleiro Vozinha, protagonista de uma atuação memorável.
O resultado dessa busca por engajamento foi uma cena de pura crueldade. Bastante assustados, os animais berravam no meio de uma multidão enlouquecida. Provocar medo e sofrimento a outros seres vivos não pode ser normalizado em comemorações. São maus-tratos e isto deve ser considerado um crime.
O esporte deve celebrar a vida e a superação, jamais ser motivo para a opressão de outras espécies.
O empate contra uma potência mundial já possuía força suficiente para marcar a história do futebol daquela nação. Nada exigia uma encenação dessa natureza, absolutamente violenta.
O vídeo alcançou exatamente o resultado pretendido, acumulando visualizações, comentários e compartilhamentos. Em tempos nos quais a visibilidade vale mais do que a ética, o respeito aos animais é sacrificado abertamente no altar da popularidade instantânea.
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