Um grupo de 440 canários-da-terra-verdadeiro, vítimas de tráfico e comércio ilegal de animais, foi repatriado para a Venezuela em uma ação do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Boa Vista, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na quinta-feira (15/04).
As aves eram de origem venezuelana e foram devolvidas ao país de origem após serem resgatadas no Brasil. A entrega ocorreu na fronteira entre os dois países.
Os animais foram resgatados em duas operações da Polícia Federal, em fevereiro de 2026. Eles foram levados ao Cetas, em Boa Vista, onde passaram por triagem, avaliação clínica e monitoramento até a definição do destino.
O canário-da-terra é uma das espécies silvestres mais traficadas no Brasil. E, em grande parte dos casos, são vendidos para rinhas.
Segundo a analista ambiental do Cetas em Roraima, Érika Santos, as aves resgatadas não têm ocorrência natural na região amazônica. Elas pertencem a uma subespécie e são típicas da área próxima ao rio Orinoco, na Venezuela.
Apesar disso, também pode ser encontrada em Boa Vista, o que, segundo a analista, ocorre provavelmente por ação humana. Por isso, ela é considerada exótica e potencialmente invasora na região amazônica.
“Há canários de fato em boa parte do Brasil, mas nem todos os canários são da mesma espécie e as vezes um animal pode ser natural em um ambiente, mas ser exótico em outro”, explicou.
Por não serem nativos do Brasil e para evitar riscos ao equilíbrio ambiental, a repatriação foi adotada como a medida mais adequada para os animais.
A ação foi realizada de forma conjunta por autoridades brasileiras e venezuelanas, seguindo procedimentos técnicos para garantir o transporte e a devolução segura dos animais. Segundo o Ibama, a iniciativa integra as ações de combate ao tráfico de fauna silvestre.
Fonte: G1