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BARBÁRIE

Islândia retoma caça comercial de baleias e autoriza morte de mais de 300 indivíduos durante a temporada de 2026

Mesmo após relatórios apontarem sofrimento prolongado dos animais atingidos por arpões explosivos, país voltou a permitir a captura de baleias-fin e baleias-minke.

24 de junho de 2026
Redação ANDA
4 min. de leitura
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Foto: Micah Garen/Getty Images

A Islândia retomou a caça às baleias em suas águas após dois anos sem capturas comerciais. Os dois navios da empresa Hvalur hf., única autorizada a realizar a atividade no país, deixaram ontem (23/06) o porto e já mataram as duas primeiras vítimas da temporada de 2026.

As cruéis permissões vigentes autorizam a captura de até 150 baleias-fin (Balaenoptera physalus) e 168 baleias-minke (Balaenoptera acutorostrata) por temporada.

A retomada da caça gerou indignação, especialmente porque crescia a expectativa de que a atividade estivesse próxima do encerramento definitivo. Em 2023, a própria Islândia suspendeu temporariamente as caçadas após questionamentos sobre o sofrimento imposto aos cetáceos durante as mortes.

Segundo a organização Whale and Dolphin Conservation (WDC), um relatório elaborado pela autoridade veterinária islandesa concluiu que os métodos empregados na caça não atendiam aos padrões nacionais de proteção animal. O documento apontou que os arpões explosivos utilizados contra as baleias podem provocar agonia prolongada antes da morte.

Estudos citados pela ONG indicam que as baleias podem permanecer vivas por até 20 minutos após serem atacadas. Durante esse período, baleias gravemente feridas continuam lutando para respirar e sobreviver, enquanto sofrem danos internos severos provocados pelas explosões.

A decisão de manter a atividade também contrasta com o consenso internacional construído ao longo das últimas décadas. Atualmente, apenas Islândia, Noruega e Japão continuam praticando a caça comercial de baleias, apesar da moratória global estabelecida pela Comissão Baleeira Internacional (CBI) em 1986.

Embora as licenças concedidas pelo governo islandês ainda estejam em vigor, o futuro da atividade permanece incerto. A ministra da Indústria da Islândia, Hanna Katrín Friðriksson, já declarou a intenção de apresentar uma proposta para proibir definitivamente a caça às baleias no país.

Em comunicado, Mark Simmonds, diretor de Ciência da OceanCare, classificou a retomada como incompatível com os valores da sociedade contemporânea e destacou que a oposição à caça cresce dentro da própria Islândia. De acordo com ele, mais da metade da população islandesa já rejeita a prática.

“A caça comercial de baleias é uma prática ultrapassada e injustificável. Matar baleias para fins comerciais no século XXI não é necessário nem aceitável”, afirmou.

 

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