Um homem entrou em contato com a equipe da organização Abrigo do Acolhimento, que acolhe animais em situação de rua no entorno do Distrito Federal, e perguntou se podia deixar um cachorro no local. Ele foi informado que o abrigo está superlotado e a ONG está passando por muitas dificuldades, mas diante da recusa, no lugar de ter empatia pelos animais e protetores, ele reagiu com ironias e ameaças, afirmando que era uma “pena” pois se não havia lugar para o cão, ele teria que abandoná-lo na estrada. E ainda demonstrou completa falta de preocupação com a vida do animal ao dizer que se o animal for atropelado “talvez surja uma vaga”.
A ONG realizou capturas de tela da conversa e divulgou nas redes sociais, denunciando o caso e lamentando a falta de consciência sobre a guarda responsável. “Esse tipo de mensagem é muito comum, porque as pessoas acham que temos obrigação de acolher todos os animais, inclusive os que já têm tutor. […] ABANDONO É CRIME, mas infelizmente não temos apoio nenhum da polícia para esse tipo de caso”, disse o abrigo em uma postagem no Instagram. Temendo pela segurança do animal, a ONG acolheu o cãozinho e o batizou de Paçoca. Felizmente, com a viralização do caso, o cachorro foi adotado na última quarta (02).
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O protetor e fundador do abrigo, Ihago de Melo Lemos, disse em entrevista ao Correio Braziliense que a maior preocupação era a segurança do cachorro. Ele conta também que, lamentavelmente, o abandono de animais no local é comum. “Conversamos com jeitinho, com medo de ele cumprir a promessa. Já aconteceu muito. As pessoas acham que temos que assumir a responsabilidade que é delas… É direto! Quando não ameaçam, jogam uma caixa com animais aqui no abrigo e vão embora”. As pessoas aproveitam que [o local] é humilde e não tem câmera. Com os abandonos, o trabalho acaba ficando ainda mais prejudicado por não termos condições financeiras e estruturais”, lamentou.
No mesmo dia que o caso de Paçoca repercutiu, um caixa com vários filhotes foi deixada na porta do abrigo. Ihago fundou o abrigo em 2018 para acolher os animais que viviam em situação de rua na região. Ele começou com sete cachorros, mas atualmente é responsável por mais de 200. Ele esperava que a ONG incutisse na população mais responsabilidade e amor pelos animais, mas, infelizmente, está ocorrendo o processo inverso, o que ameaça a sobrevivência do abrigo, que tem muitas despesas com alimentação e cuidados veterinários. “Hoje em dia a gente só pega casos de extrema necessidade, como animais atropelados, debilitados e muito magros”, explicou.
O abrigo depende exclusivamente de doações e adoções frequentes, para minimizar a superlotação, que impede que animais em situação mais grave possam receber ajuda. Ihago afirma que o Abrigo do Acolhimento está no limite e precisou, inclusive, diminuir a qualidade do alimento ofertado aos animais resgatados. “A gente vai levando e mantendo. Mantendo na dificuldade. Cachorro que levava cerca de três meses para se recuperar, agora leva seis. Sempre pensamos em fechar o abrigo, mas como podemos parar com essa quantidade de animais? O que vamos fazer? Temos que continuar”, finalizou o protetor, que busca uma solução.
Para ajudar o abrigo, entre em contato através do Instagram.