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APRISIONAMENTO

Hipopótamos de Pablo Escobar: Colômbia avalia enviá-los para zoológico particular de bilionário indiano

Autoridades aguardam resposta do governo indiano sobre viabilidade legal e estrutural da transferência dos animais.

1 de maio de 2026
Redação ANDA
2 min. de leitura
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Foto: Alberto Gonzalez / AFP

O governo da Colômbia avalia enviar cerca de 80 hipopótamos para zoológico particular de um bilionário indiano como forma de conter a reprodução acelerada da espécie no país. Os animais descendem de quatro indivíduos trazidos ilegalmente na década de 1980 pelo narcotraficante Pablo Escobar para seu zoológico particular.

Atualmente, estima-se que cerca de 200 hipopótamos vivam livres na região do rio Magdalena, formando a maior população da espécie fora da África. Sem controle, o número pode chegar a 500 até 2030, segundo o Ministério do Ambiente colombiano. Classificados como espécie exótica, eles passaram a ser alvo de políticas públicas que incluem esterilização e, mais recentemente, a possibilidade de matança.

A perspectiva de matar parte dos hipopótamos gerou forte reação de ONGs em defesa dos direitos animais, que tentaram barrar a medida na Justiça, sem sucesso. Em meio à controvérsia, surgiu como alternativa o envio deles para o centro Vantara, na Índia, após uma proposta formal apresentada por Anant Ambani, filho do bilionário Mukesh Ambani.

A ministra do Ambiente, Irene Vélez, informou que o governo solicitou às autoridades indianas garantias legais e estruturais para a transferência. A decisão final dependerá da confirmação de que o local possui autorização para receber os animais e condições adequadas para mantê-los.

Apesar de apresentada como alternativa humanitária à matança, a proposta de transferência para um zoológico privado no exterior também não é correta. Retirar os hipopótamos de seu ambiente atual para confiná-los em instalações controladas, ainda que amplas, não resolve o problema e perpetua a exploração.

O dilema não deveria se restringir a escolher entre matar ou enclausurar. Ambas as opções tratam seres sencientes como problemas a serem exterminados ou aprisionados, ignorando sua capacidade de viver de forma autônoma. A crise precisa de soluções que não repitam a lógica de dominação da origem do problema, a introdução irresponsável de uma espécie por interesses humanos.

Políticas de controle populacional éticas, como programas de esterilização mais amplos e o monitoramento dos grupos, devem ser priorizadas, evitando medidas irreversíveis. Também é importante reconhecer que, embora considerados invasores, eles não escolheram estar ali, foram colocados em um contexto artificial e agora pagam o preço por isso.

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