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SOFRIMENTO ANIMAL

Golfinhos, baleias e focas seguem explorados por exércitos em uma das faces mais cruéis da militarização animal

10 de maio de 2026
Vivian Guilhem | Redação ANDA
3 min. de leitura
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Foto: Departamento de Guerra dos EUA

Golfinhos treinados para localizar minas, leões-marinhos usados na vigilância de bases navais e baleias transformadas em instrumentos militares. O que parece roteiro de ficção continua acontecendo em pleno século 21. Mamíferos marinhos seguem sendo explorados por forças armadas ao redor do mundo em programas que submetem animais altamente inteligentes e sociais a confinamento, treinamento forçado e situações ligadas a guerras e operações militares.

A discussão voltou à tona após rumores envolvendo supostos “golfinhos kamikaze” no Oriente Médio reacenderem o debate internacional sobre o uso de animais em ações militares. Embora não existam provas oficiais sobre ataques suicidas, documentos, programas navais e registros históricos confirmam há décadas o treinamento de golfinhos, focas e leões-marinhos para localizar mergulhadores, detectar explosivos, recuperar equipamentos e proteger instalações militares.

Por trás da propaganda militar que frequentemente romantiza esses programas, está a exploração de animais sencientes reduzidos a ferramentas de guerra. Golfinhos são escolhidos por sua ecolocalização extremamente precisa. Leões-marinhos são usados pela capacidade de localizar objetos submersos. Em vez de viverem livres em oceanos, muitos acabam confinados em instalações militares, submetidos a treinamento intensivo e deslocados para áreas de conflito humano.

Foto de 2003 mostra oficial dos EUA treinando um golfinho.
Foto: Getty Images

Os Estados Unidos mantêm há décadas um programa de mamíferos marinhos ligado à Marinha. A antiga União Soviética também desenvolveu projetos semelhantes, posteriormente herdados pela Rússia. Há ainda registros históricos envolvendo Reino Unido e outros países. Em diferentes períodos, animais foram utilizados em operações durante a Guerra Fria, na Guerra do Iraque e em áreas estratégicas do Mar Negro.

Especialistas em bem-estar animal criticam há anos o uso militar de mamíferos marinhos, apontando sofrimento físico e psicológico associado ao confinamento, à privação de comportamento natural e ao treinamento coercitivo. Golfinhos estão entre os animais mais inteligentes do planeta, possuem estruturas sociais complexas, formas sofisticadas de comunicação e reconhecida capacidade cognitiva. Ainda assim, continuam sendo tratados como equipamentos dentro da lógica militar.

Golfinho da Marinha dos EUA, Kona, come alguns peixes antes de uma operação de desminagem, em 2006. Foto: U. S. Naval Undersea Museum

A exploração desses animais em guerras se soma a outras formas históricas de violência humana contra mamíferos marinhos, como captura para parques aquáticos, caça comercial, confinamento e pesca predatória. Em muitos casos, os mesmos animais retirados da natureza para entretenimento também abastecem programas militares e mercados internacionais ligados ao cativeiro.

O uso militar de golfinhos e outros mamíferos marinhos revela uma contradição profunda: espécies admiradas por sua inteligência e sensibilidade seguem submetidas a sistemas que as transformam em instrumentos de vigilância, combate e defesa armada. Enquanto tecnologias avançam rapidamente, práticas baseadas na exploração animal continuam sendo mantidas por interesses estratégicos e militares.

Focas também são treinadas para missões militares Imagem: Yekaterina Shtukina/TASS

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