Uma filhote recém-nascida de peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) foi encontrada, sozinha, na manhã da última segunda-feira (11/05), encalhada na Prainha, na Baía da Traição, no litoral da Paraíba. O animal, que ainda apresentava resquício do cordão umbilical, apresentava escoriações e lacerações na região ventral e em uma das nadadeiras.
A filhote foi avistada por um morador local, que logo entrou em contato com organizações que atuam no resgate de cetáceos na região. Rapidamente as equipes da Área de Proteção Integral (APA) da Barra do Rio Mamanguape/ICMBio e do Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho prestaram o atendimento emergencial. Posteriormente a peixe-boi foi encaminhada para o Centro de Reabilitação do Centro Mamíferos Aquáticos, na Ilha de Itamaracá, em Pernambuco.
Não há como saber a razão pela qual a filhote estava sem a mãe. “Os encalhes de filhotes de peixes-boi-marinhos geralmente estão relacionados à perda de habitat, como degradação de mangues e estuários, que muitas vezes resulta no assoreamento dos rios, dificultando assim o acesso das mães a áreas seguras para o parto” explica João Carlos Gomes Borges, coordenador do Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho.
Segundo ele, em decorrência disto, “algumas fêmeas acabam parindo em áreas mais desabrigadas e susceptíveis a ação de ondas, correntes-marinhas entre outras variáveis ambientais, tornando os filhotes mais vulneráveis devido a sua imaturidade nessas condições ambientais.”
Quadro de saúde estável
A filhote, que deve ter poucos dias de vida, está com as condições de saúde estabilizadas, e recebendo atendimento em tempo integral, incluindo, amamentação com leite artificial (sem lactose).
Embora ainda seja cedo, a equipe do Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho acredita que são boas as perspectivas para a sua reabilitação, e possível futura volta ao ambiente natural.
Peixe-boi-marinho, uma espécie ameaçada
Estima-se que existam atualmente mil peixes-bois-marinhos no litoral brasileiro, concentrados sobretudo na região Nordeste. A espécie é considerada o mamífero aquático com maior grau de risco de extinção no país.
Herbívoro e com comportamento dócil, o peixe-boi-marinho chega a medir 4 metros de comprimento e pesar até 800 kg.
Por causa de seus movimentos lentos e próximos da superfície, esses animais se tornam mais vulneráveis a colisões com embarcações – como foi o caso, em fevereiro deste ano, de Astro, que sofreu graves ferimentos ao ser atropelado por um veículo aquático.
O que fazer se encontrar um animal marinho encalhado?
O Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho faz as seguintes recomendações caso alguém encontre um peixe-boi, boto, baleia ou qualquer outro mamífero marinho encalhado vivo ou morto na Paraíba, em Sergipe e litoral norte da Bahia.
Primeiro acione imediatamente as equipes do projeto e da Fundação Mamíferos Aquáticos pelos telefones: (83) 99961-1352. Não se aproxime e nem toque na carcaça.
Caso o animal esteja vivo, siga as dicas abaixo:
- Aproxime-se devagar e fale baixo para não assustá-lo;
- Observe se o animal está respirando e se mexendo;
- No caso de golfinho e peixe-boi, proteja-o do sol: faça uma sombra, cubra com panos claros ou toalhas e molhe a pele sempre, tomando cuidado para não cobrir as narinas;
- Cuidado para não jogar água nas narinas, quando estiverem abertas;
- Afaste os curiosos. Se precisar, chame os policiais e bombeiros (ligue 190 ou 193);
- Não devolva o animal para o mar e não o alimente.
Fonte: Conexão Planeta