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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Europa aquece mais rápido que qualquer outro continente, aponta Copernicus

Segundo reportagem do The New York Times, o derretimento do gelo no Ártico, redução da cobertura de neve e mudanças na circulação atmosférica ajudam a explicar por que o continente registra aumento de temperatura acima da média global

25 de junho de 2026
3 min. de leitura
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Incêndios florestais na Espanha em agosto de 2025. Foto: Carlos Castro/Europa Press via Getty Images

A Europa tem se aquecido mais rapidamente do que qualquer outro continente nas últimas décadas, uma tendência que ajuda a explicar a frequência crescente e a intensidade das ondas de calor registradas na região. A constatação foi destacada em reportagem publicada pelo jornal norte-americano The New York Times nesta semana, em meio ao segundo episódio de calor extremo recorde registrado na Europa Ocidental em apenas um mês.

Segundo dados do serviço europeu de monitoramento climático Copernicus, a temperatura média do continente aumentou cerca de 0,56°C por década desde meados dos anos 1990 — mais que o dobro da taxa média de aquecimento observada globalmente.

Assim como ocorre no restante do planeta, o principal motor desse aquecimento é o aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, resultado da queima de combustíveis fósseis e de outras atividades humanas. Mas fatores regionais ajudam a explicar por que a Europa aquece em ritmo superior ao de outras partes do mundo.

Um dos principais está relacionado ao Ártico. O aumento das temperaturas vem acelerando o derretimento do gelo marinho que tradicionalmente cobria grandes áreas da região. Com menos gelo refletindo a radiação solar, uma parcela maior da superfície escura do oceano fica exposta e passa a absorver mais calor, reforçando o aquecimento. No inverno, a Europa também passou por temperaturas atípicas, com influência.

Outro elemento apontado pela reportagem é a redução da poluição atmosférica. Ao longo das últimas décadas, políticas ambientais reduziram significativamente as emissões industriais na Europa. Embora isso tenha melhorado a qualidade do ar, também diminuiu a presença de aerossóis — partículas que ajudam a refletir parte da radiação solar de volta ao espaço. Com menos aerossóis na atmosfera, mais energia solar permanece retida próximo à superfície.

A cobertura de neve também vem diminuindo. Dados do Copernicus mostram que, em 2025, a área coberta por neve no continente durante seu pico anual ficou cerca de um terço abaixo da média histórica. Com menos neve para refletir a luz solar, mais solo fica exposto e absorve calor, especialmente em regiões como a Escandinávia e a porção europeia da Rússia.

Imagem olhando o Polo Norte de cima mostra temperaturas acima da média sobre o Ártico enquanto o frio atípico se dispersa sobre Europa e América do Norte. Foto: ECMWF/Copernicus

Ondas de calor mais duradouras

Além de alterar a superfície terrestre e oceânica, essas mudanças também afetam a dinâmica da atmosfera. Pesquisas citadas pelo The New York Times indicam que o aquecimento acelerado do Ártico reduz a diferença de temperatura entre o Polo Norte e o Equador, um dos principais motores dos sistemas meteorológicos do Hemisfério Norte. Essa alteração pode influenciar o comportamento da corrente de jato (jet stream), faixa de ventos fortes que orienta o deslocamento dos sistemas climáticos.

Estudos recentes apontam que a corrente de jato tem se dividido com mais frequência em dois ramos sobre a Europa. Entre eles forma-se uma área de ventos mais fracos, favorecendo a permanência de massas de ar quente sobre o continente por períodos prolongados.

Em vez de alguns dias de calor intenso, esse bloqueio atmosférico pode resultar em ondas de calor que duram semanas. Segundo um estudo publicado em 2022 e citado pelo jornal, grande parte do aumento recente na frequência e intensidade das ondas de calor na Europa Ocidental está associada a esses padrões conhecidos como “corrente de jato dupla”.

Ainda não há consenso científico sobre o quanto as mudanças climáticas causadas pelo ser humano estão tornando esse fenômeno mais frequente, mas os pesquisadores concordam que o aquecimento global está elevando as temperaturas de base sobre as quais esses eventos extremos ocorrem.

Fonte: Um só Planeta

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