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SOLIDARIEDADE

Enfermeira deixa profissão e resgata cerca de 200 cães e gatos como protetora de animais no Piauí

Sanya Elayne compartilha nas redes sociais a rotina dedicada ao cuidado de animais; atualmente é presidente de uma ONG que atua em Picos, no Sul do estado.

21 de abril de 2026
Vitória Bacelar
2 min. de leitura
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Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

A protetora de animais Sanya Elayne compartilha nas redes sociais a rotina dedicada ao cuidado de cerca de 200 cães e gatos resgatados no município de Picos, no Sul do Piauí. Em 2026, ela decidiu deixar a profissão de enfermeira para se dedicar integralmente à ação voluntária.

Ao g1, ela contou que o interesse pela proteção animal surgiu quando trabalhava em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), localizada próximo ao setor de zoonoses do município.

“Lá, quando o animal tinha alguma doença e não tinha tutor, era sacrificado como forma de controle populacional. Eu ouvia o choro deles. Depois, entendi que eles sabiam que iam morrer, e aquilo me tocou profundamente”, relatou.

Sanya começou a alimentar e resgatar cães e gatos por conta própria, levando-os para casa. Ela chegou a vender objetos pessoais para custear tratamentos, comprar ração e medicamentos.

Com o aumento do número de resgates, a casa da mãe de Sanya também passou a servir como abrigo para cães e gatos.

“Chegou um momento em que percebi que não conseguiria seguir sozinha. Foi quando encontrei outras pessoas com o mesmo propósito e as mesmas dificuldades”, contou.

Em 2015, com o apoio de outros protetores, Sanya fundou a Amigos Protetores dos Animais em Picos (Apapi), organização que atua no resgate, tratamento e castração de animais, a partir de doações. Atualmente, ela é presidente da ONG.

“É uma causa que exige persistência, coragem e amor de verdade. Hoje minha rotina é só para isso. Acordo às 4h da manhã para cuidar deles. Alguns são deficientes e dependem totalmente de mim”, afirmou.

Resgates e rotina

Diariamente, a equipe prepara cerca de dois quilos de arroz e utiliza pacotes de fígado e carcaças para complementar a alimentação dos animais abrigados e de outros que vivem nas ruas.

Apesar de ser cansativo e exigir abdicar de atividades como viagens, o trabalho, para Sanya, é o que “dá sentido à vida”.

“Os resgates podem ser até perigosos, já que alguns animais atacam por medo ou dor. O caso que mais me marcou foi o da Belinha. Ela tinha três meses quando colocaram uma bomba no focinho dela. O resgate foi muito difícil, porque tanto a mãe quanto ela me mordiam bastante”, relatou.

Atualmente, Belinha tem sete anos e teve o rosto reconstruído com o apoio de uma ONG internacional. Segundo a protetora, a cadela vive feliz.

“É um misto de sentimentos: o cansaço, a revolta ao ver tanta crueldade, mas, acima de tudo, a certeza de que tudo vale a pena. Cada olhar de um animal que encontrou amor, dignidade e cuidado não tem preço”, afirmou.

Fonte: G1

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