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CONSEQUÊNCIA DA PESCA

Endoscopia retira anzol e salva gaivota; caso revela impacto humano sobre aves marinhas

Atendimento a gaivota com objeto preso no esôfago reforça riscos de petrechos de pesca e hábitos comuns no litoral brasileiro

14 de abril de 2026
Nilson Cortinhas
3 min. de leitura
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Foto: Gabriela Bezerra/Instituto Albatroz

Uma gaivota encontrada debilitada no litoral brasileiro precisou passar por um procedimento endoscópico para retirada de um anzol esportivo preso no esôfago. O tratamento durou cerca de um mês e meio até a reabilitação completa e soltura do animal.

O ponto mais crítico foi a endoscopia, técnica invasiva que permite a visualização interna e a retirada do objeto sem necessidade de cirurgia aberta. Para o procedimento, a ave deve estar sob anestesia geral, para garantir imobilidade, reduzir estresse e evitar dor durante a manipulação e retirada do material. Em aves, isso é importante porque são animais sensíveis ao manejo e ao estresse.

O caso, registrado este ano, não é isolado. Segundo especialistas, representa um tipo de ocorrência recorrente em áreas costeiras onde há presença de pesca e intensa interação humana com a fauna.

Foto: Reprodução/Vídeo Albatroz

Resgate e diagnóstico

A ingestão de anzóis e outros materiais de pesca aparece de forma contínua no atendimento a aves marinhas, tanto em animais resgatados com vida quanto em necropsias. “Esses registros aparecem ao longo do tempo em aves debilitadas e também em animais mortos”, explica a médica veterinária Daphne Goldberg, do Instituto Albatroz.

Além do anzol, outro risco grave está associado à linha de nylon conectada ao objeto, que pode causar danos internos ao animal. “Esse material pode atuar como um corpo estranho linear, causando lesões extensas no trato digestório, comprometendo a circulação sanguínea e levando até à necrose”, afirma a profissional.

Impacto

Fragmentos de plástico também são frequentemente encontrados no sistema digestivo das aves, indicando um padrão de contaminação. Em paralelo, práticas aparentemente inofensivas, como alimentar aves para fotos, agravam o problema.

“Isso faz com que elas associem pessoas e áreas de pesca à oferta de alimento, aumentando a chance de contato com anzóis e resíduos”, explica a veterinária.

O resultado é um ciclo de risco que começa no comportamento humano e termina em lesões, infecções e, em muitos casos, morte.

Os impactos variam conforme o tipo de atividade pesqueira, mas os efeitos clínicos são semelhantes. Perfurações, infecções, dificuldade de alimentação e exaustão estão entre os quadros mais comuns. A pesca recreativa e artesanal gera casos frequentes próximos à costa, enquanto que a pesca industrial pode provocar impactos mais amplos, afetando populações inteiras de aves marinhas.

“Vemos aves com anzóis na boca, no esôfago, nas asas e nas patas, além de casos de emalhe em linhas de pesca”, relata Goldberg.

O que pode ser evitado?

Apesar da gravidade dos casos, especialistas afirmam que grande parte dessas ocorrências poderia ser evitada com mudanças simples de comportamento. O descarte correto de materiais de pesca, a não alimentação de aves e o manejo responsável durante a atividade pesqueira são medidas essenciais.

Em operações maiores, tecnologias como linhas espanta-aves já demonstram eficácia na redução de impactos, especialmente em espécies oceânicas ameaçadas. “A prevenção depende de boa conduta no descarte de materiais e da adoção de práticas responsáveis”, afirma a veterinária.

Fonte: Um só Planeta

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