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OSSOS CORTADOS

Elefante-marinho Leôncio é encontrado brutalmente assassinado em praia de Alagoas com sinais de agressão grave

Ele estava em rota migratória em Alagoas, e corpo foi encontrado em área de Unidade de Conservação Federal. Relatório será entregue ao Ministério Público

2 de abril de 2026
Jônatas Levi
6 min. de leitura
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Leôncio descansando no litoral durante período de migração na costa brasileira. Foto: Instituto Biota / Divulgação

A rota migratória do elefante-marinho Leôncio chegou ao fim de forma trágica. O pesado e simpático animal estava desaparecido nos últimos dias do sistema de monitoramento de equipes do Instituto Biota de Conservação. O corpo dele, no entanto, foi encontrado morto no povoado de Lagoa Azeda, em Jequia da Praia, Alagoas. O caso levanta um alerta porque o exame de necrópsia feito por equipe veterinária e biólogos aponta que o animal foi morto. As marcas no corpo chamam a atenção pela agressividade da morte, com “vários ossos cortados”.

O relatório da necropsia será protocolado no Ministério Público e junto a entidades ambientais para responsabilizar o culpado pelo crime.

“São informações preliminares. Mas a equipe veterinária e os biólogos que estão realizando a necrópsia já fecharam que o animal foi morto. Ele apresenta vários sinais de agressão por meio de objeto cortante. Essas agressões foram tão violentas que vários ossos do animal foram cortados, mutilados por essas agressões. Infelizmente, essas agressões foram realizadas enquanto o animal estava com vida”, conta o biólogo e diretor-executivo do Instituto Biota, Bruno Stephanis.

O especialista explica que o exame apontou esses dados por meio de hemorragias que foram encontradas no corpo do animal. Vários ferimentos foram constatados, sendo eles: traumatismo crânio-facial e fratura completa de osso zigomático (que forma a “maçã do rosto”). “Faceta da fratura apresenta superfície plana, reta, com borda externa ligeiramente afundada e infiltração hemorrágica compatível com ação contundente por instrumento cortante”, apontou o instituto.

Leôncio, como ficou conhecido, estava em uma fase sensível. O elefante-marinho estava em processo de troca de pelagem, assim, apresentava um comportamento diferenciado, em que passa mais tempo em repouso fora da água. Segundo Stephanis, caso não apresente sintomas, nesse período não deve ocorrer manejo, contenção ou qualquer intervenção. Diariamente, o animal era monitorado de perto pelo instituto, com avaliação de suas condições.

Na segunda-feira (30/03), o instituto apontava que há três dias não havia sinal ou informações sobre o paradeiro do elefante-marinho. Uma das hipóteses era de que estava abrigado em alguma região. Na terça, no entanto, Leôncio foi encontrado morto em Jequia da Praia.

“É muito triste a gente compartilhar essa notícia, uma vez que o Leôncio foi abraçado pela população alagoana. Ele cativou muitas pessoas, e nós fizemos um trabalho de divulgação intensa para que esse animal tivesse toda atenção e cuidado, e sua passagem por Alagoas fosse o mais tranquila possível”, salientou Bruno Stephanis, apontando que ele foi morto numa Unidade de Conservação Federal.

Segundo o biólogo, dados sobre a espécie apontam que a troca de pelo leva de 1 a 4 semanas. Passado esse período, o instituto se preparava para fazer avaliações mais próximas.

“Estávamos esperando a troca de pelo dele para poder avaliar se realmente ele ia conseguir voltar ou não, e fazer a intervenção. Porém, infelizmente não deu tempo. Produzimos todo o material de contenção, de captura, de transporte e o animal infelizmente foi morto antes de conseguir fazer uma simples troca de pelo”, disse Stephanis.

O relatório da necropsia será protocolado no Ministério Público, órgão que será responsável por abrir uma investigação, junto a entidades ambientais.

“Não vai competir a gente nessa investigação, isso é de autoridade dos agentes públicos, mas iremos subsidiá-los com informação o mais detalhada possível para que o responsável seja identificado e punido pelas autoridades”, afirmou o especialista.

A migração de Leôncio

Leôncio chegou ao litoral alagoano no início do mês de março e, desde então, percorreu diferentes praias, incluindo áreas urbanas e trechos mais isolados. Ao longo desse período, já havia se deslocado por mais de 30 quilômetros, segundo o Instituto Biota. Ao todo, estima-se que ele tenha percorrido 220km no período.

O animal ganhou o apelido após uma enquete realizada nas redes sociais do instituto e passou a ser acompanhado por equipes técnicas, que monitoravam seus deslocamentos e orientavam a população sobre como agir em caso de aproximação.

A presença do elefante-marinho chamou atenção por se tratar de um registro incomum no litoral alagoano, especialmente em áreas de grande circulação. Turistas e moradores passaram a buscar o animal nas praias, o que levou o instituto a reforçar recomendações para evitar interação direta.

O protocolo prevê o isolamento do animal em um raio de até 30 metros sempre que ele é localizado. Em períodos de maré cheia, há possibilidade de aproximação maior da faixa de areia, o que exige atenção redobrada de quem estiver nas proximidades.

O Instituto Biota de Conservação orienta que, em caso de avistamento, a população mantenha distância, não tente tocar ou alimentar o animal e evite aglomerações e barulho. A recomendação é acionar equipes responsáveis para o acompanhamento.

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