Uma égua chamada Amora teve uma morte lenta e marcada por agonia em uma adutora do sistema de abastecimento de água em Belo Horizonte (MG). Grávida de cerca de cinco meses, ela foi arrastada viva pela força da água e não recebeu socorro a tempo.
Amora desapareceu na tarde de segunda-feira (04/05), na região do Baleião, no bairro Vila Fazendinha. Horas antes de seu corpo ser localizado, já sem vida e fragmentado, ela enfrentou o desespero de ser sugada por uma estrutura subterrânea, sem qualquer possibilidade de fuga. A égua, que já era mãe da pequena Zafira, de cinco meses, carregava outro filhote no ventre quando caiu. Ambos morreram.
Segundo o tutor, o pedreiro Rodrigo Aparecido, o acidente aconteceu durante um passeio. Amora era conduzida com tranquilidade quando pisou sobre uma tampa que cedeu sob seu peso. Em segundos, o chão desapareceu sob suas patas. Rodrigo e um amigo ainda tentaram segurá-la, mas foram vencidos pela força da água e pelo peso da égua. A cena foi de impotência absoluta.
Rodrigo afirma que pediu ajuda imediatamente, mas ouviu que o Corpo de Bombeiros só atuaria caso o animal estivesse vivo. Já a Copasa tratou a ocorrência como uma demanda comum, sem urgência. Foi apenas após a repercussão nas redes sociais, impulsionada por vídeos gravados pelo tutor, que uma operação mais robusta foi iniciada, tarde demais para salvar Amora.
Enquanto isso, a potrinha Zafira permanece no rancho, sem a mãe.
O local onde ocorreu o acidente, segundo o tutor, não possuía sinalização adequada e estava encoberto por vegetação, tornando a estrutura praticamente invisível.
O foco das autoridades, mais uma vez, parece ter se voltado apenas às consequências técnicas, não à causa nem ao sofrimento imposto à égua. Amora agonizou até o fim devido a negligência das autoridades.