O vazamento do depoimento do médico-veterinário Derli Royer, responsável pelo atendimento do cão comunitário Orelha antes de sua morte, trouxe mais questionamentos sobre o arquivamento do caso anunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). As declarações do profissional contradizem pontos centrais da conclusão apresentada pelas autoridades.
O pedido foi protocolado pelo MPSC na sexta-feira (08/05). Segundo a instituição, as provas reunidas ao longo da investigação seriam insuficientes para sustentar a tese de agressão e indicariam que os adolescentes investigados sequer estiveram próximos do cão no horário inicialmente apontado pela Polícia Civil.
Em depoimento divulgado após o anúncio do arquivamento, Derli Royer descreve um quadro clínico severo e compatível com trauma contundente concentrado exclusivamente na região da cabeça, principalmente no lado esquerdo, que estava com um grande inchaço. O cão chegou praticamente inconsciente e não conseguia ficar em pé. Tinha sangramento nasal e bucal, e o olho estava saltado.
Royer relatou ainda que o Orelha não apresentava escoriações corporais típicas de atropelamento, hipótese inicialmente levantada quando ele foi encontrado agonizando sob um carro na Praia Brava, em Florianópolis (SC). O veterinário explicou para a protetora responsável pelo resgate, que achava que havia sido um caso de maus-tratos porque ele só tinha ferimentos na cabeça. Geralmente, quando são atropelados, os animais apresentam machucados em outras partes do corpo.
Segundo o profissional, havia também sinais de possível fratura mandibular e intensa dificuldade respiratória. Orelha passou seus últimos momentos agonizando de dor antes de ser eutanasiado.