Imagens recentes captadas no estado de Nagaland, no nordeste da Índia, mostram um quadro perturbador de violência imposta aos cães abusados pelo comércio de carne no país. O vídeo exibe cachorros presos em sacos de juta, totalmente imobilizados, com os focinhos amarrados, em condições que sugerem dor, desespero e exaustão.
O registro foi realizado no mercado de Dimapur, local mencionado como um dos principais centros desse comércio na região. As imagens levantam discussões que vinham perdendo espaço no debate público, sobretudo após decisões judiciais recentes que alteraram o curso de medidas anteriormente celebradas por ativistas.
Em 2020, autoridades estaduais anunciaram a proibição da importação e comercialização de carne de cachorro, resultado de pressão intensa de movimentos sociais e organizações comprometidas com a defesa da vida animal. A medida representou um marco importante.
Em 2023, no entanto, o Tribunal Superior de Kohima anulou a proibição, sustentando que o consumo integra práticas alimentares tradicionais de determinados grupos locais. A decisão restabeleceu a atividade comercial, agora novamente visível em feiras e mercados.
Relatos contundentes apontam para maus-tratos sistemáticos ao longo de toda a cadeia, desde a captura até a morte.
O sofrimento imposto não pode ser relativizado por tradições, sobretudo diante de padrões internacionais que reconhecem a senciência animal e condenam práticas cruéis.
A ausência de uma legislação federal específica na Índia contribui para a manutenção desse cenário fragmentado. Sem diretrizes nacionais claras, decisões regionais acabam definindo os limites da proteção, criando zonas onde a exploração segue autorizada. Esse vazio normativo dificulta avanços consistentes e abre espaço para interpretações que desconsideram aspectos fundamentais da vida animal.
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