As regiões tropicais continuam sendo a principal fonte de descoberta de mamíferos no planeta. Um estudo publicado na revista científica Journal of Systematics and Evolution analisou 1.116 espécies descritas entre 1990 e 2025, concluindo que a maioria das descobertas ocorreu em países da América do Sul, na África e no Sudeste Asiático.
Apesar desse protagonismo territorial, os pesquisadores identificaram que os estudos feitos em países do hemisfério norte ainda utilizam mais tecnologia e realizam análises mais detalhadas.
A pesquisa foi conduzida por cientistas brasileiros e avaliou como as descrições de novas espécies mudaram nas últimas décadas. Foram considerados fatores como:
Segundo o pesquisador Matheus de T. Moroti, um dos autores principais do estudo, a concentração de descobertas nos trópicos acontece por fatores biológicos e históricos.
“Os países que começaram antes o desenvolvimento técnico-científico geralmente estão em regiões temperadas, então, boa parte das descrições desses países já aconteceram no passado”, explica. Além disso, ele afirma que as regiões tropicais, apesar da alta diversidade, começaram a “corrida do conhecimento” com atraso.
Outro dado importante apontado pela pesquisa é que morcegos e roedores lideram as descobertas recentes, representando em conjunto mais de 67% das espécies descritas no período analisado. Isso acontece porque esses grupos são extremamente diversos, compostos por espécies pequenas, noturnas e difíceis de se detectar em campo.
Conforme explicam os pesquisadores, muitos vivem em habitats de difícil acesso, como copas de florestas e cavernas. Várias dessas espécies também são morfologicamente (fisicamente) muito parecidas entre si, e o que permite a diferenciação são justamente os estudos de DNA.
DNA e a ampliação das descobertas
As descrições de espécies se tornaram mais detalhadas ao longo do tempo. Nas décadas de 1990 e 2000, as análises dependiam quase exclusivamente de características físicas dos espécimes. Hoje em dia, integram ferramentas modernas, especialmente técnicas moleculares.
A análise de DNA tornou-se uma das principais ferramentas para a taxonomia. Segundo Matheus, ela permite identificar espécies que possuem histórias evolutivas diferentes, mas que são similares ou praticamente idênticas por fora.
Fonte: G1