EnglishEspañolPortuguês

ACÚMULO DE CALOR

Cidades seriam duas vezes mais quentes sem árvores, mostra estudo

Em São Paulo, a substituição de áreas verdes por asfalto, concreto e edificações fez as temperaturas na cidade aumentarem muito acima da média global.

19 de maio de 2026
3 min. de leitura
A-
A+
Foto: ANF – Agência de Notícias das Favelas

Um estudo publicado na revista Nature Communications, liderado pela The Nature Conservancy (TNC), revelou que as árvores urbanas são responsáveis por mitigar quase metade do efeito de ilha de calor nas cidades. Sem elas, as temperaturas nas áreas urbanas seriam duas vezes maiores do que são hoje.

A pesquisa analisou dados de quase 9 mil grandes cidades ao redor do mundo, que, juntas, abrigam cerca de 3,6 bilhões de pessoas, informa o Exame. O resultado é que a cobertura arbórea atual neutraliza quase 50% do efeito de ilha de calor urbana. Este efeito ocorre quando superfícies artificiais, como asfalto, concreto e estacionamentos, absorvem radiação solar e liberam calor, fazendo com que áreas urbanas aqueçam muito mais do que as regiões rurais ao redor.

São Paulo é um exemplo do estrago causado pela falta de árvores. Segundo pesquisadores da USP, as temperaturas mínimas e máximas do ar na cidade aumentaram muito acima da média global ao longo dos últimos 125 anos. Enquanto a temperatura média do planeta subiu cerca de 1,2°C desde 1900, a capital paulista registrou aumento de 2,4°C nas máximas diárias e de 2,8°C nas mínimas, detalha o g1. E o principal motivo da discrepância é a ilha de calor urbana.

Os pesquisadores verificaram que o aumento da temperatura mínima, normalmente registrada por volta das 6h, foi ainda maior do que o da temperatura máxima. Isso significa que as noites ficaram mais quentes ao longo das últimas décadas.

Nos últimos 15 anos, as ondas de calor passaram a provocar tardes com temperaturas entre 30°C e 34°C em diferentes pontos da Grande São Paulo. À noite, por volta das 22h, os termômetros ainda marcam 28°C.

“Esse dado é muito crítico, porque é nesse horário que a maioria das pessoas vai dormir”, afirma o professor Humberto Ribeiro da Rocha, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG-USP). Rocha apresentou os dados no encontro “Eventos extremos de calor e água: Mitigando os efeitos adversos das mudanças climáticas na saúde das cidades”, promovido pela FAPESP e pela Organização Neerlandesa para a Pesquisa Científica (NWO).

Segundo ele, muitas construções paulistanas não possuem isolamento térmico suficiente para impedir o acúmulo de calor. “Várias edificações não tinham isolamento térmico suficiente contra o calor externo e, à noite, se comportaram como pequenos fornos aquecidos que retiveram o calor”, compara.

Voltando ao estudo liderado pela TNC, o levantamento traz um dado preocupante, que escancara a injustiça climática: o efeito refrescante das árvores está concentrado justamente onde a necessidade é menor. Países de alta renda, climas úmidos e bairros nobres concentram a maior parte da cobertura arbórea urbana, enquanto as comunidades mais vulneráveis, em regiões densamente povoadas e de baixa renda, têm menos sombra e mais calor.

“É cada vez mais comum vermos diferenças gritantes de temperatura entre bairros da mesma cidade, causadas pela desigual distribuição de cobertura arbórea”, afirmou Johnny Quispe, diretor de programas urbanos da TNC. “Os impactos do calor extremo costumam afetar as comunidades mais vulneráveis. Investir em arborização urbana resulta em ruas mais frescas, ar mais limpo e comunidades mais resilientes para todos.”

Fonte: ClimaInfo

    Você viu?

    Ir para o topo