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ABANDONO

Cerca de 15 cães são deixados para trás após desocupação e sobrevivem entre escombros e fome em Santa Maria (RS)

O vereador Professor Luiz Fernando (PDT) acionou o Ministério Público e cobra investigação do caso.

19 de abril de 2026
Redação ANDA
2 min. de leitura
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Foto: Rian Lacerda

Cerca de 15 cães vivem em situação de abandono extremo entre os escombros dos antigos pavilhões demolidos em Santa Maria (RS). Sem acesso regular a alimento, água limpa ou abrigo, os animais enfrentam um cenário de sobrevivência crítica, marcado por fome, doenças e disputas por recursos escassos.

Flagrados brigando entre si pelas poucas doações de ração levadas por voluntários, os cães apresentam sinais evidentes de desnutrição, infestação por pulgas e comprometimento da pelagem. A situação se agravou após a demolição dos galpões que antes serviam como abrigo, deixando-os expostos a resíduos, água contaminada e material orgânico em decomposição.

A denúncia, protocolada no Ministério Público pelo vereador Professor Luiz Fernando (PDT), aponta uma possível omissão das autoridades municipais durante o processo de desocupação da área. Segundo o parlamentar, outros animais foram resgatados, mas os cães acabaram negligenciados.

“Fui lá e vi os animais brigando entre eles pela pouca comida que levamos. É uma situação complexa que nos assusta. O município agiu na retirada de cavalos e ovelhas, mas os cães ficaram para trás”, afirmou o vereador.

O documento solicita a abertura de investigação, o recolhimento imediato dos animais e a aplicação de multa diária ao município em caso de descumprimento.

A área, de propriedade da prefeitura, abrigava grupos como a Associação de Reciclagem Seletivo Esperança (Arsele) e a Escola de Samba Vila Brasil. Com a desocupação iniciada em janeiro, após notificação em dezembro de 2025, as estruturas foram demolidas sob a justificativa de risco à segurança. No entanto, não houve um plano eficaz para garantir o destino dos cães que viviam no local.

Em nota, a prefeitura negou omissão e afirmou que os animais possuem um tutor legal, que teria sido notificado previamente para deixar o espaço e retirar os cães. Segundo o Executivo, o responsável priorizou a remoção de materiais de construção e negligenciou os animais.

Ainda de acordo com a administração municipal, nenhuma ocorrência de ferimentos foi registrada durante a demolição, e a responsabilidade primária pelos cuidados com os cães seria do tutor. Mesmo assim, o município informou que estuda medidas emergenciais, como cercamento provisório, instalação de abrigos e articulação com organizações não governamentais para viabilizar lares temporários e adoção.

A alegação de responsabilidade individual, no entanto, não isenta o poder público diante de uma situação de sofrimento coletivo evidente. Sem intervenção imediata, os cães seguem expostos à fome, doenças e violência, em meio ao entulho de um espaço que, embora planejado para ser revitalizado, ainda carrega as marcas de abandono e negligência.

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