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CRIME AMBIENTAL

Caso Carlinhos Maia: entenda os riscos de alimentar aves silvestres

Caso envolvendo Carlinhos Maia acendeu debate sobre perigos de alimentar aves silvestres. No Brasil, a ação é considerada crime

14 de abril de 2026
Julia de Mesquita
3 min. de leitura
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Foto: Reprodução/Instagram

Um gesto que parece inofensivo — jogar comida para aves em um passeio turístico — pode causar sérios impactos ambientais e até resultar em punições severas. O caso recente envolvendo o influenciador Carlinhos Maia trouxe o tema à tona após ele ser multado em R$ 1 milhão por divulgar imagens de aves silvestres sendo alimentadas em Fernando de Noronha (PE).

O episódio ocorreu durante um passeio de barco, quando amigos de Carlinhos estavam alimentando os animais — o que é proibido por lei.

Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio), ao divulgar o vídeo no Instagram, rede na qual acumula 35 milhões de seguidores, o influenciador explorou imagens envolvendo animais silvestres em situação de abuso na Área de Proteção Ambiental (APA) de Fernando de Noronha.

“Eu não alimentei, ok? Aceito a multa, não tem problema, mas a multa justa, como foi feita para as pessoas que alimentaram a gaivota. Estão me pedindo R$ 1 milhão porque eu fiz um Stories desse momento”, declarou o humorista nas redes sociais.

Alimentar aves silvestres é perigoso

Apesar de ser algo comum em pontos turísticos, alimentar animais silvestres interfere diretamente no comportamento natural das espécies. Aves que passam a depender de humanos podem deixar de caçar ou buscar alimento por conta própria, tornando-se vulneráveis.

Além da mudança de comportamento, a dieta oferecida por turistas costuma ser inadequada e pode causar prejuízos à saúde dos animais. No caso registrado em Noronha, por exemplo, o fornecimento de carne a aves marinhas representa um alimento fora do padrão natural, com potencial para causar desequilíbrios nutricionais.

Outro risco é o chamado condicionamento alimentar, que acontece quando os animais associam a presença humana à comida.

Isso pode aumentar a agressividade, provocar disputas entre espécies e até gerar acidentes com turistas. Em áreas sensíveis, como o arquipélago, qualquer interferência pode ter consequências graves e difíceis de reverter.

Entenda por que isso é crime no Brasil

Enquadrada como infração ambiental, a atitude de Carlinhos acabou rendendo uma multa fixada em R$ 1 milhão — que considerou, além da renda, a gravidade, a relevância ambiental da região e a disseminação do conteúdo, já que poderia influenciar outras pessoas.

No Brasil, alimentar animais silvestres, especialmente em áreas protegidas, é classificado como dano à fauna, e, por isso, a legislação prevê punições para quem o pratica.

Além disso, o simples ato de interferir na alimentação dos animais já é suficiente para caracterizar irregularidade, mesmo que não haja intenção de causar prejuízos.

Nas redes sociais, o influenciador demonstrou indignação com a multa e criticou a atuação do ICMBio:

“Um dos maiores absurdos que já vi na vida aconteceu comigo. É algo tão fora da realidade que a equipe está custando a acreditar que algo assim é real e não uma pegadinha. A gente processou de volta, porque isso é abuso de poder. Eu apelo para a Justiça brasileira porque, se isso vier a acontecer de fato, vai ser um dos maiores absurdos judiciários que eu vou presenciar na minha vida”, disse.

Fonte: Metrópoles

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