EnglishEspañolPortuguês

CASO CHIARA

Câmara de Três Corações (MG) aprova lei que proíbe uso de 'enforca-gatos' em castração de animais

Projeto foi aprovado por unanimidade e prevê multa de cerca de R$ 2,5 mil para veterinários que utilizarem o material.

20 de maio de 2026
3 min. de leitura
A-
A+
Foto: Reprodução EPTV

A Câmara Municipal de Três Corações (MG) aprovou, por unanimidade, um projeto de lei que proíbe o uso de abraçadeiras de nylon, conhecidas popularmente como “enforca-gatos”, em procedimentos de castração de animais domésticos. A proposta surge após a morte da cadela Chiara, que gerou comoção na cidade.

O texto foi aprovado em segunda votação e segue agora para sanção do prefeito. A medida valerá tanto para o setor público quanto para clínicas privadas.

A iniciativa é de autoria do vereador e presidente da Câmara, Wesley Rezende Dardaque (Podemos), que afirmou que o projeto nasceu da repercussão do caso.

“O nosso projeto nasce, como você bem disse, de uma dor da sociedade. Esse caso não é diferente, ele nasceu com a situação que aconteceu com a cadela Chiara”, disse.

Chiara era um animal comunitário do bairro Cotia e morreu no dia 13 deste mês, após apresentar complicações depois de uma castração. Segundo o vereador, um dos fatores investigados foi o uso das abraçadeiras de nylon durante o procedimento.

“Eu procurei entender os motivos que teriam levado às complicações, e um dos fatores teria sido a utilização da abraçadeira de nylon no procedimento”, afirmou.

O vereador disse ainda que pesquisou legislações sobre o tema e constatou que não há proibição em nível estadual ou federal.

“Nós temos um projeto de lei de 2021 e outro de 2023, um na Assembleia Legislativa de Minas e outro no Congresso Federal, que tratam dessa proibição. Mas nenhum dos dois ainda é lei”, explicou.

Com a aprovação, Três Corações passa a se destacar entre as cidades que avançaram na regulamentação do tema. Segundo Dardaque, apesar de não ser proibida até então, a prática já não era recomendada por conselhos da área.

“Os conselhos que regulamentam a profissão dos médicos veterinários já não aconselham mais a utilização desses itens”, disse.

Fiscalização e multa

A lei prevê que a fiscalização será feita pela Prefeitura, por meio de um departamento específico de defesa animal. Veterinários que descumprirem a norma estarão sujeitos a multa.

“A punição é de 774 UFM, que, convertendo para os valores atuais, dá cerca de R$ 2.500”, explicou o vereador.

Além da fiscalização oficial, moradores também poderão denunciar irregularidades.

“Todo e qualquer cidadão que identificar esse tipo de conduta pode fazer um boletim de ocorrência ou a denúncia através dos canais oficiais da Prefeitura”, afirmou.

Tramitação

Após a aprovação no Legislativo, o projeto segue para análise do Executivo. Caso seja vetado, o texto retorna à Câmara.

“Esse veto que o prefeito aplica no projeto é votado pela Câmara, podendo ela mantê-lo ou também destituí-lo”, explicou Dardaque.

O vereador afirmou acreditar que a proposta será sancionada nos próximos dias.

Investigações

O caso da cadela Chiara segue sob investigação. A Polícia Civil instaurou inquérito, e o Ministério Público aguarda a conclusão das apurações.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária informou que abrirá um processo na Comissão de Ética para analisar o ocorrido.

Já a Prefeitura de Três Corações negou que tenha havido negligência ou maus-tratos, e afirmou que irá apurar o caso, se necessário. Sobre o projeto de lei, o município informou que ainda não respondeu aos questionamentos.

Fonte: G1

    Você viu?

    Ir para o topo