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MAUS-TRATOS

Cachorrinha perde orelha por necrose após tutora colocar laço apertado no interior de SP

Guarda Civil de Rio Claro (SP) apontou negligência física e indícios de omissão de socorro da tutora na segunda-feira (20/04). Cachorra foi adotada por outra família.

24 de abril de 2026
Brenda Bento
3 min. de leitura
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Foto: GCM de Rio Claro

Uma cachorrinha filhote sofreu uma mutilação na orelha após a tutora colocar um laço de enfeite apertado e demorar para buscar ajuda em Rio Claro (SP).

De acordo com a Patrulha Animal da Guarda Civil Municipal (GCM), além da negligência física, há indícios de omissão de socorro, pois a tutora só queria ir ao atendimento presencial um dia após ligar à clínica perguntando sobre a possibilidade de implantar a orelha.

O g1 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) e aguarda posicionamento. O animal já foi adotado por uma família. A reportagem não localizou a antiga responsável pela cachorra.

Clínica veterinária chamou GCM

A clínica veterinária, no bairro Vila Aparecida, acionou os guardas municipais para atendimento da ocorrência na última segunda-feira (20). No local, os agentes foram informados que a tutora do animal de 1 mês ligou para o estabelecimento relatando o ocorrido e que iria levá-lo no dia seguinte.

No momento da ligação, a tutora questionou a possibilidade de implantação da orelha, que estava se soltando. Ela foi orientada pela veterinária a levar o animal imediatamente à unidade para avaliação e procedimento, o que só foi feito pela mulher após insistência da profissional.

Durante o atendimento, a veterinária identificou que a orelha da cadela já estava necrosada e decepada, tornando impossível a implantação. De acordo com a GCM, a profissional disse que a mulher apertou o lacinho no animal, causando a interrupção da circulação.

Não percebeu a gravidade

A mulher alegou à veterinária que não havia percebido a gravidade da situação. Já a profissional disse que era impossível não ter notado, pois o processo de necrose causa dor intensa, fazendo com que o filhote reaja com choros, latidos e coceira na região afetada.

Diante do caso de maus-tratos, os profissionais do estabelecimento acionaram a guarda para registro do Boletim de Ocorrência. Na ocasião, a tutora manifestou o desejo de doar o animal, que permanece internado sob responsabilidade da clínica.

Conforme apurado pelo g1, o animal está bem e já foi adotado por outra família.

A GCM informou que o caso reforça a importância dos cuidados com o uso de acessórios em animais. A corporação disse, ainda, que a população pode fazer denúncias anônimas nos canais de atendimento 153 ou 0800-7711532.

Maus-tratos é crime

Maus-tratos a animais são considerados como um crime ambiental e estão previstos na Lei n° 9.605/1998. O artigo 32 criminaliza condutas como abuso, maus-tratos, ferimento ou mutilação de animais silvestres, domésticos, nativos ou exóticos.

São considerados maus-tratos:

  • agressões físicas ou psicológicas;
  • abandono;
  • falta de água, alimentou ou abrigo;
  • manter o animal preso em local inadequado;
  • impedir tratamento veterinário;
  • envenenamento ou morte provocada de forma cruel.

A pena prevista é de detenção de três meses a 1 ano, além de multa, podendo ser aumentada se houver agravantes, como reincidência ou maior gravidade do dano causado. Se o crime resultar na morte do animal, a pena pode ser aumentada de um sexto a um terço.

Em 2020, foi sancionada a Lei n° 14.064, conhecida como Lei Sansão, que tornou mais severa a punição quando o crime envolve cães ou gatos. Nesses casos, a pena passou a ser de reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição da guarda do animal.

Fonte: G1

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