Na ocupação de Israel sobre a Palestina, animais domésticos constantemente são usados como um meio de intimidar as famílias palestinas. Ontem (15/05), a cachorra Lucy, que vive há cerca de um ano e meio com uma família palestina na região de Ramallah, na Cisjordânia, foi espancada repetidamente na cabeça por um colono israelense durante um ataque registrado em vídeo.
Imagens gravadas no local mostram o agressor golpeando a cachorra repetidamente dentro do quintal da residência da família. Segundo o tutor, que preferiu não se identificar por medo de represálias, Lucy estava amarrada e não representava qualquer ameaça.
“Ela não estava solta, nem o mordeu. Ele atacou uma cadela que estava amarrada”, relatou o homem.
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As agressões aconteceram por volta das 18h e, de acordo com o homem, faz parte de um cenário contínuo de assédio promovido por colonos contra moradores palestinos da região. A área próxima à casa da família abriga um posto de controle militar israelense instalado no ano passado em terras da aldeia, em uma zona onde moradores denunciam ameaças frequentes, intimidação e expulsão de famílias palestinas.
Lucy sofreu ferimentos gravíssimos. Ela apresentava intenso sangramento nos olhos e múltiplos traumatismos na cabeça. O tutor afirmou que a família ainda enfrentou dificuldades para conseguir socorro veterinário, já que o posto impedia a saída direta da vila. Com o bloqueio, os moradores precisaram buscar uma rota alternativa enquanto o estado da cachorra piorava.
O resgate foi realizado por Maryana Abodoly, fundadora do serviço de transporte animal Petaxi, que atua em Israel e na Cisjordânia no transporte e salvamento de animais feridos. Ela contou ter encontrado a família completamente traumatizada quando chegou ao local, perto da meia-noite.
“Eles estavam em estado de choque e com medo de uma forma que não consigo descrever. Pela quantidade de violência que sofreram, pela sensação de impotência”, afirmou.
Sobre o estado de Lucy, o relato é devastador. “A cabeça dela estava literalmente esmagada. Ela estava quase inconsciente. Não conseguia ficar de pé nem se mexer”, disse Maryana.
A cachorra foi encaminhada ao hospital veterinário Carmel Yam, onde recebeu atendimento emergencial. Inicialmente, os veterinários concentraram esforços em estabilizá-la devido à gravidade dos ferimentos cranianos. Apesar da violência sofrida, hoje (16/05) Lucy apresentou sinais de melhora, conseguindo voltar a comer e beber água, enquanto o sangramento começou a diminuir.
Maryana afirmou que denúncias de ataques contra animais palestinos são frequentes, embora grande parte dos casos nunca seja registrada oficialmente. “Recebo constantemente relatos de animais sendo espancados por colonos. Nem tudo é documentado e, mesmo quando é, infelizmente pouca coisa acontece”, declarou.
A polícia israelense informou que abriu investigação sobre o caso e entrou em contato com o tutor para formalizar uma denúncia. Ainda assim, organizações em defesa dos direitos animais e palestinos denunciam há anos a impunidade recorrente em casos de violência praticados por colonos na Cisjordânia ocupada, incluindo agressões contra animais.