O emalhamento em redes e equipamentos de pesca pode provocar um sofrimento muito mais prolongado em baleias e golfinhos do que normalmente aparece nas imagens de resgate divulgadas ao público. É o que indica um novo estudo publicado no New Zealand Veterinary Journal, que aponta que muitos animais continuam sofrendo por semanas ou até meses após serem libertados, desenvolvendo infecções severas, desnutrição e lesões irreversíveis, como consequência nefasta da pesca industrial.
A pesquisa foi repercutida pelo site científico Phys.org e analisou o caso de um golfinho-nariz-de-garrafa encontrado morto após ter sido resgatado de linhas de pesca na costa de Auckland, na Nova Zelândia.
O exame pós-morte revelou cortes profundos, danos crônicos nos tecidos, doença de pele disseminada e infecção bacteriana generalizada (sepse) na corrente sanguínea.
“Para muitos animais, o verdadeiro problema não é se conseguem escapar, mas o que acontece depois disso”, afirmam os autores Karen Stockin e Antonio Fernández, em artigo publicado originalmente no site The Conversation e reproduzido pelo Phys.org.
De acordo com os pesquisadores, embora algumas espécies morram rapidamente afogadas após ficarem presas em redes, outras sobrevivem ao primeiro impacto, mas enfrentam um processo lento de deterioração física. Cordas e linhas podem penetrar gradualmente no corpo dos animais, impactando movimentos, dificultando a alimentação e favorecendo infecções graves.
Os cientistas estimam que cerca de 300 mil baleias, golfinhos e toninhas morram todos os anos no mundo devido ao emalhamento ou à captura acidental em equipamentos de pesca. O estudo destaca ainda que muitos casos sequer são registrados, já que diversos animais permanecem presos em alto-mar sem serem vistos. Os autores defendem que as operações de resgate só são plenamente bem-sucedidas caso o animal volte a nadar, e pelas chances reais de recuperação a longo prazo.
Fonte: Um só Planeta