Enquanto países europeus avançam no fechamento de aquários e no fim da exploração de belugas, golfinhos e orcas para entretenimento, a Espanha segue na direção oposta e mantém ativa uma das maiores indústrias de cativeiro marinho do continente.
Atualmente, o país possui oito aquários em funcionamento e mantém 83 belugas, golfinhos e orcas confinados. A Espanha lidera o número de delfinários na União Europeia, mesmo diante do movimento crescente de nações que vêm abandonando esse modelo. A França, por exemplo, encerrou definitivamente as atividades do Marineland d’Antibes, antigo maior parque aquático da Europa, enquanto Bélgica e outros países também adotaram restrições ao aprisionamento dessas espécies em tanques.
Na legislação espanhola, continuam autorizadas o aprisionamento, a troca e a reprodução de baleia e golfinhos em cativeiro. Organizações em defesa dos direitos animais denunciam que esse sistema perpetua um ciclo de exploração baseado na reprodução forçada de fêmeas, submetidas com frequência à inseminação artificial sob sedação para garantir o nascimento de novos indivíduos destinados aos espetáculos.
Os filhotes nascidos nesses locais jamais têm contato com o oceano e passam toda a vida em tanques de concreto. Muitos são separados precocemente das mães para que as fêmeas possam voltar a engravidar. Em ambientes marcados por estresse constante, alguns filhotes acabam rejeitados pelas próprias mães ou sofrem agressões de outros animais confinados.
Dados apontam que, em 2017, dos 46 animais nascidos em cativeiro, seis nasceram mortos ou foram resultado de abortos espontâneos, enquanto outros oito morreram pouco depois do nascimento, uma taxa de mortalidade de aproximadamente 30%.
Diante desse cenário, a organização de defesa animal Seaspiracy lançou uma campanha digital para pressionar o governo espanhol a alterar a legislação que ainda permite a reprodução de cetáceos em cativeiro. A iniciativa incentiva o envio de e-mails às autoridades espanholas com pedidos pelo fim da criação desses animais em aquários. Segundo a organização, proibir a reprodução é a forma mais eficaz de interromper o ciclo de exploração e impedir que novas gerações de golfinhos, orcas e belugas nasçam destinadas à vida em tanques.
Para enviar o e-mail padrão, já escrito pela Seaspiracy, entre neste link.