
Um estudo de atribuição da rede global de cientistas climáticos World Weather Attribution (WWA) conclui que a atual onda de calor que levou a temperatura a níveis recordes na Europa teria sido improvável há 50 anos. O diferencial para a efetivação do atual cenário são as mudanças climáticas, destaca a pesquisa.
Em 1976, quando alguns dos recordes europeus de temperatura foram estabelecidos, os registros atuais seriam praticamente impossíveis de ocorrer em junho, e altamente improváveis em qualquer época do ano. Uma onda de calor semelhante à atual em junho de 1976 seria 3,5°C menos quente durante o dia e 2,4°C menos quente durante a noite, segundo a análise da WWA.
Ainda segundo o estudo, em 2003, durante a primeira grande onda de calor deste século na Europa, um calor diurno como o deste mês seria muito raro – cerca de 10 vezes menos provável. Já as temperaturas noturnas como as atuais seriam mais de 100 vezes menos prováveis do que há duas décadas. O que faz da atual onda de calor a mais severa já registrada no continente europeu.
“O fenômeno climático não é particularmente incomum. Mas as temperaturas são, ou pelo menos eram antes das mudanças climáticas”, comentou Friederike Otto, uma das fundadoras da rede de cientistas e professora de ciência climática do Imperial College de Londres.
O estudo também frisa que o El Niño não tem qualquer relação com a atual onda de calor escaldante. E isso não é uma boa notícia, destaca O Globo. Significa que, nos próximos meses, sob a influência do fenômeno climático, o calor poderá se intensificar.
“Não estamos fazendo o suficiente para desacelerar o ritmo do aquecimento global no momento. Portanto, à medida que esse ritmo de aquecimento continua… Devemos esperar ver recordes de temperatura sendo superados com cada vez mais frequência”, disse Clair Barnes, pesquisadora no Imperial College London e coautora da análise.
O estudo da WWA indicou que os impactos da atual onda de calor na saúde ainda estão surgindo. Mas há registros de que uma série de ondas de calor no verão de 2022 está relacionada à morte de mais de 60 mil pessoas, relatam CNN e Independent.
Fonte: ClimaInfo




