A Ridglan Farms é um dos últimos criadouros industriais dos Estados Unidos dedicados à produção de cães da raça Beagle para terríveis experimentos biomédicos. Cerca de 2.500 animais vivem nas instalações, criados especificamente para serem enviados a laboratórios ou utilizados em pesquisas internas que incluem testes de toxicidade, procedimentos invasivos e farmacêuticos.
A experimentação animal é uma das explorações mais abjetas contra os animais. Ativistas pelos direitos animais entraram na propriedade em 15 de março de 2026 com o objetivo de salvar alguns dos cães desse destino. A ação, planejada por integrantes da campanha Save Ridglan Beagles, terminou com detenções e a recuperação dos animais pela polícia do condado de Dane.
Eles afirmaram ter conseguido resgatar 3o beagles dos canis antes da chegada das autoridades. As vans que transportavam os cães foram interceptadas durante o trajeto e oito cães acabaram devolvidos ao criadouro, enquanto os ativistas fugiram com os outros 22. A empresa informou à imprensa local que todos foram recuperados sem ferimentos.
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Entre os detidos estava o advogado e ativista Wayne Hsiung, figura conhecida nas campanhas internacionais contra a experimentação animal. Também foi presa a atriz Alexandra Paul, reconhecida há décadas por sua atuação em defesa dos animais. Nas redes sociais, familiares e apoiadores manifestaram solidariedade aos envolvidos e classificaram a operação como um esforço para salvar vidas.
Vídeos registrados durante a entrada nas instalações mostram longos corredores de galpões industriais com fileiras de gaiolas metálicas empilhadas. Dentro delas, cães mantidos em confinamento aguardam o triste fim para o qual foram criados.
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Relatos divulgados por ativistas indicam que um veículo ligado à propriedade teria tentado bloquear a saída das vans que transportavam os animais. Imagens publicadas na internet mostram uma caminhonete posicionada diante dos veículos próximos aos canis, embora não exista confirmação independente sobre as circunstâncias exatas do episódio.
A mobilização reuniu pouco mais de uma centena de apoiadores, número inferior ao esperado pelos organizadores. Parte deles permaneceu na propriedade aguardando detenção pacífica após a chegada das autoridades.
A ação traz à tona uma realidade cruel de um setor pouco visível ao público. A Ridglan Farms tornou-se alvo de campanhas após inspeções oficiais registrarem centenas de violações de normas de bem-estar animal ao longo dos anos.
Sob pressão de investigações, protestos e ações judiciais, a empresa concordou em encerrar o fornecimento de cães para laboratórios até julho de 2026. O acordo firmado com autoridades estaduais permite, entretanto, que o criadouro continue reproduzindo animais para pesquisas internas, o que mantém milhares de cães confinados.
A disputa em torno da Ridglan começou quase uma década atrás. Em 2017, ativistas entraram secretamente nas instalações e divulgaram imagens que revelaram ao público os galpões sem janelas onde os cães eram mantidos em gaiolas metálicas empilhadas. Na ocasião, três beagles foram retirados do local e se tornaram símbolos da campanha pelo fechamento do criadouro.
Desde então, a pressão pública contra centros de criação para experimentação animal se intensificou. Um grande fornecedor de cães de laboratório na Virgínia encerrou atividades após um escândalo de bem-estar animal que repercutiu internacionalmente.
Mesmo com essas mudanças, milhares de beagles continuam sendo criados para pesquisa científica. Outro grande criadouro localizado no estado de Nova York mantém atualmente cerca de 16 mil cães destinados ao mesmo mercado.
Para os ativistas que entraram na Ridglan Farms, retirar alguns animais do confinamento foi um gesto simbólico diante de um sistema que ainda considera outras espécies apenas como recursos experimentais.
Cada vez mais juristas e defensores dos direitos animais questionam se seres sencientes podem continuar classificados apenas como propriedade porque a legislação deve reconhecer que possuem interesses próprios que merecem proteção.
O caso nos Estados Unidos lembra um marco semelhante ocorrido no Brasil. Em 18 de outubro de 2013, ativistas resgataram cerca de 200 cães da raça Beagle e coelhos do Instituto Royal, em São Roque (SP), após denúncias de testes laboratoriais e anos de mobilização contra o biotério. A pressão social resultante contribuiu para o fechamento da unidade e impulsionou mudanças na legislação paulista, com a aprovação de uma lei que proibiu testes em animais para cosméticos no estado de São Paulo, transformando o caso em um dos marcos do movimento pelos direitos animais no país. Leia a matéria completa aqui.
Enquanto essa resposta permanece em disputa, milhares de cães continuam vivendo atrás das grades de criadouros e laboratórios. Para esses animais, a diferença entre permanecer nas gaiolas ou conhecer um lar depende do rumo que essa discussão tomará nos próximos anos.