Cinco leões que viviam sob o risco constante de ataques russos na Ucrânia foram retirados de uma zona de guerra graças a uma operação liderada pelo ativista britânico Cam Whitnall. A missão resgatou os felinos Yuna, Rori, Vanda, Amani e Lira, animais que sofriam os efeitos físicos e psicológicos dos bombardeios e que agora vivem em segurança no Reino Unido.
A iniciativa se tornou um dos episódios mais marcantes da trajetória de Whitnall, diretor do Paradise Wildlife Park, em Hertfordshire, na Inglaterra. Em 2024, ele lançou uma campanha para retirar os animais de Kiev, onde estavam expostos aos ataques de mísseis e drones em meio à guerra iniciada pela invasão russa da Ucrânia.
Em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, Whitnall contou que os leões apresentavam sinais de choque e até concussões provocadas pelas explosões próximas aos recintos onde eram mantidos. Ele acompanhava a situação por vídeos enviados por WhatsApp, que mostravam bombardeios e ataques aéreos nas proximidades dos animais.
Os cinco leões haviam chegado à Ucrânia após serem comprados ilegalmente como animais domésticos exóticos. O conservacionista alerta que muitas pessoas adquirem grandes felinos ainda filhotes sem compreender os riscos envolvidos.
“Um deslize, um momento de complacência, e tudo muda”, afirma Whitnall ao periódico, ao destacar o perigo de manter predadores selvagens em ambientes domésticos.
Para viabilizar o resgate, ele criou a instituição de caridade Big Cats in Crisis, responsável por arrecadar recursos para a operação. A meta era levantar pelo menos 750 mil libras esterlinas para transportar os animais e construir uma estrutura adequada para recebê-los.
A campanha resultou na criação do Centro de Resgate de Leões, próximo à cidade de Ashford, no condado de Kent. O espaço foi inaugurado oficialmente pela ministra britânica do Bem-Estar Animal, Baronesa Hayman, e pelo embaixador da Ucrânia no Reino Unido, Valerii Zaluzhnyi.
Em um dos vídeos publicados nas suas redes sociais, ele mostra como foi o regate de Ursa.
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Ao comentar a recuperação de Yuna, uma das leoas resgatadas, Whitnall destacou a transformação observada após sua chegada ao novo lar. Ele celebrou, em um dos seus vídeos, a primeira vez que ela pisou na grama, depois de viver uma vida inteira em cativeiro.
“Resgatar Yuna da guerra na Ucrânia, dar a ela uma segunda chance de vida e agora vê-la sentir o ar fresco e a grama pela primeira vez é algo incrivelmente especial e bonito. Sabemos que ainda temos um longo caminho pela frente, mas ela está demonstrando uma coragem incrível e até um pouco de irreverência, e não poderíamos estar mais felizes”, celebrou Whitnall.
Filho de uma família ligada à administração do Paradise Wildlife Park, Whitnall cresceu cercado por animais. Na infância, conviveu com suricatas, porcos-espinhos, pumas, lobos e macacos. Aos 11 anos, tornou-se o tratador de zoológico mais jovem do Reino Unido a participar do programa infantil Blue Peter.
Sua família reformulou o zoológico ao longo dos anos, ampliando recintos, melhorando a infraestrutura e acolhendo animais resgatados de circos. A experiência ajudou a consolidar sua atuação na conservação da vida selvagem.
Whitnall também denuncia os impactos do tráfico de animais, que classifica como uma das maiores atividades criminosas do mundo, atrás apenas do tráfico de drogas. Segundo ele, espécies são frequentemente capturadas em armadilhas e submetidas a sofrimento extremo para abastecer o tráfico de animais exóticos.
Apesar dos desafios, o conservacionista afirma que programas de reprodução controlada, proteção de habitats e resgates como o realizado na Ucrânia oferecem esperança para espécies ameaçadas. O objetivo final, defende, é garantir que os animais possam viver em ambientes protegidos e seguros, mesmo que esse processo leve décadas.
Fonte: O Globo