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ESTUDO

Aquecimento global faz abelhas e vespas saírem de hibernação antes da hora: entenda perigo para polinização

Temperaturas mais antecipa processos, com perda de energia e maior risco para a reprodução destes importantes polinizadores

14 de abril de 2026
Nilson Cortinhas
2 min. de leitura
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Vespas se preparando para hibernar no inverno. Foto: Shutterstock / SKatzenberger

A crise climática começa a alterar um dos processos mais delicados da natureza: o ritmo de vida dos polinizadores. Um estudo da Universidade de Würzburg, na Alemanha, divulgado pelo site Phys, aponta que o aquecimento global está fazendo com que abelhas e vespas saiam da hibernação mais cedo — muitas vezes antes de encontrarem alimento disponível, o que pode dificultar sua sobrevivência e a própria polinização.

A pesquisa, que foi publicada inicialmente na revista Functional Ecology, indica que o aumento das temperaturas na primavera acelera o desenvolvimento desses insetos, bem como reduz suas reservas energéticas, criando um descompasso entre a saída desses insetos para o ambiente natural e a disponibilidade de flores.

Emergência

A maioria das abelhas e vespas silvestres passa o inverno protegida em casulos, no solo ou na madeira. Algumas espécies hibernam já na fase adulta; outras ainda precisam completar seu desenvolvimento quando as temperaturas começam a subir.

Com o aquecimento global, esse ciclo está sendo alterado. Insetos emergem mais cedo, no entanto, o ambiente ainda não está pronto para recebê-los.

Se flores e presas ainda não estiverem disponíveis, esses animais enfrentam uma escassez imediata de recursos. Com isso, o aumento da temperatura acelera o consumo das reservas de gordura acumuladas durante a hibernação, limitando suas chances de sobrevivência e reprodução.

Experimento

Para entender os impactos dessas mudanças, pesquisadores analisaram cinco espécies de abelhas e vespas silvestres na região da Baviera, na Alemanha. O estudo reuniu quase 15 mil indivíduos coletados em mais de 160 locais. Os insetos foram mantidos em laboratório sob diferentes cenários de temperatura, simulando primaveras frias, quentes e extremas.

O resultado foi que todas as espécies emergiram mais cedo em condições mais quentes. No entanto, os efeitos variaram de acordo com a origem climática dos insetos.

Espécies de regiões mais frias mostraram maior vulnerabilidade. Segundo os pesquisadores, esses insetos perdem energia mais rapidamente sob temperaturas elevadas, o que compromete seu desempenho logo no início do ciclo de vida.

“Nossos dados mostram que insetos de regiões mais frias são particularmente vulneráveis a primaveras quentes. Eles perdem energia mais rapidamente e, por isso, começam o ciclo de vida em condições piores”, afirma a autora principal do estudo, Cristina Ganuza.

Em alguns casos, fêmeas de espécies que emergem no verão perderam até 34% da massa corporal quando expostas a temperaturas mais altas — um fator que pode impactar diretamente a reprodução e a manutenção das populações.

O desequilíbrio entre o surgimento de polinizadores e a floração das plantas pode gerar efeitos em cascata nos ecossistemas. Abelhas e vespas desempenham papel essencial na reprodução de plantas e na produção de alimentos.

Fonte: Um só Planeta

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