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MEDICINA

Aos 16 anos, cachorra ganha marca-passo e supera doença cardíaca grave

Um procedimento inédito devolve vitalidade à cadela Ceguinha, enquanto veterinários alertam para os sinais de doenças silenciosas em animais domésticos

1 de maio de 2026
Camila Santos
3 min. de leitura
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Foto: Arquivo Pessoal

Aos 16 anos, a cadela Ceguinha, moradora de Olímpia (SP), acaba de provar que a idade avançada não é obstáculo para a medicina veterinária de alta complexidade. Após ser diagnosticada com um bloqueio atrioventricular, falha grave no sistema elétrico do coração, ela passou por uma cirurgia para implante de um marca-passo. O procedimento foi a solução para reverter um quadro de desmaios e batimentos cardíacos perigosamente baixos, que ameaçavam sua vida.

Entenda o caso da cadela Ceguinha

Ceguinha apresentava um bloqueio elétrico que impedia os impulsos cardíacos de chegarem aos ventrículos, reduzindo sua frequência para apenas 25 batimentos por minuto.

O problema foi detectado precocemente em check-ups de rotina, mas a intervenção tornou-se urgente após a cadela sofrer desmaios.

O implante do marca-passo assumiu o controle do ritmo cardíaco, garantindo que o sangue e o oxigênio circulem adequadamente pelo corpo.

Veterinários reforçam que sintomas como cansaço e desmaios em animais idosos nem sempre são “da idade”, e sim sinais de cardiopatias tratáveis.

O desafio do coração lento

Ceguinha é a “matriarca” de uma casa com outros 30 cães resgatados. Sua trajetória de superação ganhou um novo capítulo quando o acompanhamento periódico revelou que seu coração estava perdendo o ritmo. Recentemente, a situação agravou-se: a cadela sofreu um desmaio acompanhado de perda de urina, um sinal que muitas vezes confunde os tutores.

“O responsável percebeu que ela estava diferente e logo procurou ajuda. Isso foi fundamental”, explica Monique Abdul Gha, veterinária do Hospital Veros, que acompanha o caso. Segundo a especialista, o bloqueio atrioventricular faz com que o coração bata de forma tão lenta que compromete a oxigenação de todo o organismo.

“O marca-passo é o tratamento indicado para evitar a morte súbita e devolver a qualidade de vida”, afirma.

Sintomas confundidos com a velhice

Um dos maiores desafios no tratamento de animais domésticos idosos é o preconceito com a idade. Muitos tutores acreditam que a prostração ou a falta de apetite são processos naturais do envelhecimento. No caso de Ceguinha, a percepção rápida de que o “sono profundo” era, na verdade, um desmaio, salvou sua vida.

“Nem todo desmaio é percebido como tal. Às vezes, o tutor vê o animal caído e acredita que ele apenas está mais quieto. Qualquer mudança de comportamento deve ser investigada”, alerta Monique em entrevista ao Metrópoles.

Sinais de alerta para tutores:

  • Cansaço excessivo e intolerância a caminhadas;
  • Desorientação ou tontura;
  • Respiração ofegante;
  • Episódios de desmaio (que podem ser confundidos com sono profundo).

A importância do check-up preventivo

A recuperação bem-sucedida de Ceguinha destaca a necessidade de exames constantes. Para cães na fase sênior, a recomendação é de consultas a cada seis meses.

O eletrocardiograma é a ferramenta principal para identificar falhas elétricas, mas exames como ecocardiograma e radiografias de tórax completam o diagnóstico.

Atualmente, com o marca-passo operando em níveis seguros, Ceguinha retornou ao convívio de sua grande família canina em Olímpia.

O caso reforça que a tecnologia médica, aliada à observação atenta dos tutores, pode estender — e muito — o tempo e a alegria de viver dos animais domésticos.

Fonte: Metrópoles

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