Durante o último carnaval, a UFRJ foi tomada pela folia, mas por um motivo mais específico do que a festa dos blocos e das escolas de samba. Naqueles dias, a universidade se tornou a primeira do Brasil a realizar reprodução de corais em laboratórios. O feito, do Laboratório de Bioeconomia, pode abrir novos caminhos para o futuro desse que é um dos ecossistemas mais vulneráveis e sob maior risco de extinção diante das mudanças climáticas. Se o ritmo de aquecimento dos oceanos for mantido nas próximas décadas, de 70 a 90% dos recifes de corais, que abrigam cerca de 25% da biodiversidade marinha, podem desaparecer, segundo as projeções.
O projeto de reprodução em laboratório, liderado pelo casal Cristiane e Fabiano Thompson, começou no ano passado, com a intenção de aumentar a população de corais, e assim restaurar recifes que vêm se degradando, como na Região dos Lagos e no Nordeste, em especial em Abrolhos (BA), onde fica o primeiro parque nacional marinho do Brasil.
Os pesquisadores ficaram cerca de um ano monitorando as águas de Arraial do Cabo (RJ), de onde retiraram espécimes de coral-cérebro, endêmico (só ocorre no Brasil) e o mais famoso do país, que inclusive ilustra a nota de R$100. Os corais foram extraídos quando estavam prontos para reproduzir. Depois, foi montado um aquário na laje do laboratório, em um ambiente controlado e mantendo as incidências do sol e da lua. Entre quinta e domingo de carnaval, os ovos eclodiram e geraram as larvas, que futuramente formarão os corais.
“Há mais de 20 anos estudamos a degradação dos corais, em Abrolhos, no Japão, Caribe e Austrália. A degradação é global. Com a perda dos corais, nos resta qual alternativa? Uma abordagem intervencionista. Vamos produzir os corais no laboratório, e assim reconstruir os recifes. A intenção é fazer um novo recife do zero, como se fosse uma agricultura dos corais”, explica Fabiano Thompson, que cita inspirações em projetos semelhantes nos EUA e na Austrália.
O projeto de reprodução em laboratório, liderado pelo casal Cristiane e Fabiano Thompson, começou no ano passado, com a intenção de aumentar a população de corais, e assim restaurar recifes que vêm se degradando, como na Região dos Lagos e no Nordeste, em especial em Abrolhos (BA), onde fica o primeiro parque nacional marinho do Brasil.
Os pesquisadores ficaram cerca de um ano monitorando as águas de Arraial do Cabo (RJ), de onde retiraram espécimes de coral-cérebro, endêmico (só ocorre no Brasil) e o mais famoso do país, que inclusive ilustra a nota de R$100. Os corais foram extraídos quando estavam prontos para reproduzir. Depois, foi montado um aquário na laje do laboratório, em um ambiente controlado e mantendo as incidências do sol e da lua. Entre quinta e domingo de carnaval, os ovos eclodiram e geraram as larvas, que futuramente formarão os corais.
“Há mais de 20 anos estudamos a degradação dos corais, em Abrolhos, no Japão, Caribe e Austrália. A degradação é global. Com a perda dos corais, nos resta qual alternativa? Uma abordagem intervencionista. Vamos produzir os corais no laboratório, e assim reconstruir os recifes. A intenção é fazer um novo recife do zero, como se fosse uma agricultura dos corais”, explica Fabiano Thompson, que cita inspirações em projetos semelhantes nos EUA e na Austrália.
Segundo a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), agência de estudos oceanográficos do governo dos EUA, cerca de 75% dos recifes do mundo já sofreram algum nível de estresse térmico, e as projeções do IPCC são de que, com um aquecimento do planeta de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, entre 70% e 90% dos corais do mundo podem desaparecer nas próximas décadas. Os 1,5 °C de aquecimento são o limite estabelecido pelo Acordo de Paris, em 2015, mas que entidades internacionais já admitem que será extrapolado até 2030.
Além do aquecimento dos oceanos, a poluição, desde esgoto sanitário a acidentes com derramamento de óleo, é outra ameaça frequente aos corais, que abrigam cerca de 25% da vida marinha. Professor do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará, Marcelo Soares faz uma analogia para explicar a importância dos corais – as árvores dos oceanos – como berçários da vida marinha.
“Os recifes de corais seriam como as florestas tropicais. Do mesmo jeito que a gente tem a floresta amazônica, que é um dos sistemas de maior riqueza em termos de vida na área terrestre, os recifes de corais são os sistemas mais ricos dos oceanos. Isso tem uma grande importância para a pesca artesanal, o turismo e a proteção das áreas costeiras, como uma barreira de defesa contra tempestades e ondas fortes”, explica Soares. “São os corais que constroem essa floresta marinha ao longo de séculos, e a onda de calor é como se fosse um grande incêndio debaixo d’água.”
Com um cenário de risco sobre a maior parte dos ambientes de recife nos próximos 50 anos, muitos lugares, como na Austrália, Oriente Médio, Caribe e Europa vêm investindo na restauração de áreas através da reprodução de corais em laboratórios, diz Soares.
“Esse desenvolvimento é importante, mas é importante dizer que isso não substitui, sob hipótese alguma, a necessidade de conservação das áreas, de combate às mudanças climáticas e de controle da poluição.”
Fonte: Um só Planeta