Nem tudo o que é legal é ético

           

Matar pode ser legal, mas não há argumento ético que possa sustentar e legitimar tal ato, a não ser quando quem morre por suas mãos estava a ameaçar sua vida ou a de terceiros que não podem se defender do ataque. Nesse sentido, matar jamais pode ser ético quando o morto não apresentava ameaça alguma à vida de quem o matou.
Isso vale para Cecil (o tigre símbolo do Zimbábue morto por diversão, no dia 1 de julho de 2015, por um cidadão norte-americano em férias na África), do mesmo modo que vale para os seis bilhões de animais que matamos aqui em nosso país, dentro da lei, para consumo humano, e para os 70 bilhões de animais indefesos, mortos ao redor do mundo para satisfazer apetites humanos. Todos esses são animais absolutamente inocentes que não ameaçam a vida de ninguém.
Quando o Estado define uma área onde matar um animal é permitido (legal), este mesmo Estado não tem como controlar a pisada na linha divisória, nem impedir que os caçadores a violem e matem o animal, digamos, cinco centímetros além dela.
Se Cecil não fosse um leão famoso, se não tivesse nome, como não o têm os 70 bilhões mortos para servir o prato de humanos, poucas pessoas estariam sentindo compaixão por sua vida abatida. E a maioria das pessoas, de fato, não tem compaixão alguma por todos os animais que fatia e engole todos os dias.
Especismo eletivo é isso mesmo. Mas ele não pode sustentar uma moralidade que queira ser ética. Só o abolicionismo pode defender a vida de todos os animais, sem discriminação, dos que são comidos e dos que são usados para qualquer outro propósito.

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