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EXPOSIÇÃO EXAGERADA

Zoológico transforma ritual de acasalamento de pinguins em espetáculo para o público com “pedrinhas do amor”

A iniciativa explora a imagem dos animais mostrando o comportamento reprodutivo das aves em transmissões ao vivo e ações promocionais visando ampliar a visibilidade do zoo.

9 de março de 2026
Redação ANDA
4 min. de leitura
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Foto: Zoológico de Edimburgo

Pinguins-gentoo confinados no Zoológico de Edimburgo protagonizam um ritual de acasalamento transformado em espetáculo para o público. No recinto artificial do zoo, as aves aparecem carregando pedrinhas coloridas para oferecer às parceiras, um comportamento natural da espécie, adaptado a um cenário cuidadosamente preparado por humanos para repercutir na redes sociais.

A iniciativa foi organizada pela Royal Zoological Society of Scotland, que administra o zoológico. As pedras foram pintadas por crianças atendidas pela Edinburgh Children’s Hospital Charity e levadas ao recinto para que os pinguins as escolhessem durante o início da temporada reprodutiva.

Na natureza, o chamado “pebbling” é parte do ritual de acasalamento dos pinguins-gentoo, onde o macho oferece uma pedra à fêmea, que a utiliza na construção do ninho. No zoológico escocês, no entanto, as pedras chegam já coloridas e distribuídas no recinto, muitas delas pintadas durante atividades com jovens pacientes do Royal Hospital for Children and Young People, que acompanham a cena por transmissões ao vivo.

Segundo Roslyn Neely, CEO da instituição de caridade hospitalar, a iniciativa permite que crianças hospitalizadas mantenham “uma conexão com a natureza”, mas essa conexão está sendo mediada justamente por animais privados dela.

Pinguins-gentoo são aves marinhas que, na natureza, percorrem grandes distâncias e escolhem livremente seus locais de reprodução ao longo de costas frias do hemisfério sul. Em um zoológico, porém, o comportamento de cortejo ocorre dentro de um recinto limitado, sob observação constante e transformado em conteúdo para visitantes e transmissões online.

Outro ponto que levanta questionamentos é o uso de pedras pintadas. Não há explicação pública detalhada sobre quais tintas são utilizadas ou se houve avaliação independente sobre possíveis riscos para os animais ou para o ambiente do recinto. Em espécies que manipulam objetos com o bico e os transportam para o ninho, substâncias químicas presentes em tintas podem representar um fator que deveria ser cuidadosamente analisado.

O caso mostra como comportamentos naturais acabam sendo apropriados como entretenimento em zoológicos. O ritual de acasalamento, um momento íntimo e crucial para a sobrevivência da espécie, vira um espetáculo programado, com “pedrinhas do amor” preparadas por humanos e uma plateia assistindo em tempo real.

Enquanto se fala em aproximar pessoas da natureza, os próprios animais permanecem confinados, vivendo versões reduzidas de comportamentos que, na vida selvagem, acontecem em territórios vastos e sem grades.

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