Um zoológico anunciou no sábado (21/01) a morte de Johnson, uma capivara de nove anos, e Al, uma anta brasileira de 20. Companheiros de recinto por quase uma década, eles foram mortos no mesmo dia após avaliação veterinária que apontou piora na saúde de ambos.
A justificativa apresentada foi a de evitar sofrimento e impedir que um deles enfrentasse o isolamento após a morte do outro. A decisão, segundo o zoológico, foi tomada em conjunto por veterinários e tratadores. A vida e a morte desses animais foram determinadas por uma estrutura que primeiro os confinou, os deslocou entre países e os transformou em atração pública e, ao final, decidiu o momento de encerrá-las.
O caso ocorreu no Newquay Zoo, na Cornualha, Reino Unido. Al, uma anta brasileira (Tapirus terrestris), nasceu em 2005 e chegou ao zoológico britânico em 2014, transferido do Zoológico de Gdansk, na Polônia. Três anos depois, passou a dividir o recinto com Johnson, capivara nascida no Chester Zoo e enviada a Newquay em 2016.
Ambas as espécies são nativas da América do Sul. A anta brasileira é o maior mamífero terrestre do Brasil; a capivara é um dos símbolos mais reconhecidos da fauna sul-americana. Ainda assim, suas existências foram atravessadas por deslocamentos estressantes, aprisionamento e exposição diária ao público europeu, longe de seus habitas e da liberdade que define suas espécies.
Funcionários afirmaram que a convivência fortaleceu um vínculo “incomum” entre os dois, atribuindo a proximidade ao temperamento calmo e sociável das espécies. Visitantes relatavam que a amizade era “claramente especial”. A comoção nas redes sociais foi imediata, repleta de homenagens e mensagens de carinho.
O próprio argumento utilizado para justificar a morte simultânea, evitar que um sofresse com a ausência do outro, mostra que ambos eram capazes de sentir perda, solidão e apego. Johnson e Al não escolheram atravessar fronteiras, viver em exibição e depender de avaliações administrativas para continuar respirando.