Três filhotes de tigre-siberiano, espécie ameaçada de extinção, foram mortos pelo Zoológico de Leipzig, na Alemanha, depois que a mãe, Yushka, parou de amamentá-los. A instituição afirmou ontem (09/08) que matá-los foi necessário para evitar uma “morte prolongada por inanição”, mas existem vários casos de animais que sobrevivem mesmo depois de serem abandonados pelos pais, tanto na natureza, quanto em santuários.
Após dar à luz na quarta-feira (06/08), a tigresa Yushka a princípio cuidou de sua prole normalmente. Mas, desde a quinta-feira (07/08), se afastou de seus filhotes, sua primeira ninhada, e parou de alimentá-las.
Em vez de soluções alternativas, como amamentação assistida ou transferência para santuários, o zoológico optou por se livrar do problema matando os animais, repetindo um padrão já visto em outras instituições, como o Zoológico de Nuremberg, que matou 12 babuínos no final do mês de julho alegando superlotação.
Os tigres-siberianos, ou tigres-de-amur, são os maiores felinos do mundo e estão à beira da extinção, com poucos indivíduos restantes na natureza. Em vez de mantê-los em cativeiro, onde enfrentam estresse, alterações comportamentais e, como visto, morte prematura, eles deveriam estar na natureza ou, no caso dos que não têm condições de voltar, em santuários, onde a vida realmente é protegida.
Enquanto zoológicos insistem em se apresentar como centros de “conservação”, casos como o dos filhotes de Leipzig revelam uma contradição: se a vida selvagem deve ser protegida, por que sua manutenção em cativeiro resulta tantas vezes em sofrimento e morte?
É urgente que os zoológicos, instituições que perpetuam o confinamento e a exploração dos animais, deem lugar a santuários verdadeiramente comprometidos com o bem-estar e a dignidade deles.
Os animais merecem viver em liberdade ou, quando isso não for possível, em santuários onde sua vida seja respeitada, e não administrada como um problema a ser eliminado. O futuro da proteção animal não está em jaulas, mas em espaços que honrem seu direito inalienável de existir.