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GOIÁS

Voluntária coloca coleiras refletivas em cães em situação de rua para evitar atropelamentos: ‘Coração giganteco’

Vânia Maria da Silva Lima, de 42 anos, cuida de cães em situação de abandono nas ruas de Quirinópolis há três anos. Ao todo foram fabricadas 150 coleiras.

2 de janeiro de 2026
Eliane Barros
6 min. de leitura
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Foto: Arquivo Pessoal/Vânia Maria da Silva

A voluntária Vânia Maria da Silva Lima, de 42 anos, colocou 60 coleiras refletivas em cães em situação de rua em Quirinópolis, no sudoeste de Goiás, entre os dias 21 e 23 de dezembro, para evitar atropelamentos. A iniciativa, que busca dar mais visibilidade aos animais durante a noite, repercutiu nas redes sociais e emocionou internautas.

“A Vânia sempre foi uma menina de coração gigantesco”, escreveu um usuário. “Nem te conheço, mas já te amo, moça das coleiras”, comentou outra internauta.

Em outra publicação, uma pessoa se referiu à voluntária como heroína: “Nem todo super-herói usa capa, alguns amam e cuidam dos animais”, escreveu.

O cuidado com animais em situação de rua é realizado por Vânia há três anos e envolve, além da colocação das coleiras, doação de filhotes e castração de cães adultos. Apesar da rotina intensa de voluntariado, ela mantém 11 animais em casa e concilia as ações com o trabalho em uma empresa da cidade. Ela é vigilante, apesar de não estar trabalhando nessa função atualmente.

Ao todo foram fabricadas 150 coleiras refletivas que serviram também para outros voluntários que cuidam de animais abandonados. Ela disse que existem aproximadamente 300 cães vivendo nas ruas de Quirinópolis e por mais coleiras estão sendo confeccionadas, segundo Vânia.

Ao g1, Vânia contou que cuidar de cães abandonados foi fundamental para superar um quadro de depressão. “Apesar de tantas dificuldades, sou movida pelo amor que esses cães demonstram por mim e pelo amor que eu tenho por eles e pela causa animal. Luto para que os cães em situação de rua sejam respeitados e recebam o cuidado que merecem”, disse.

Segundo a voluntária, mesmo com o trabalho constante, os atropelamentos ainda eram uma preocupação, já que ela não conseguia evitar esse tipo de ocorrência apenas com as ações já realizadas. Foi então que conheceu, pelas redes sociais, o projeto das coleiras refletivas, que chamou sua atenção imediatamente.

“Muitos motoristas alegavam que atropelaram os cães porque não conseguiram vê-los. E realmente não é fácil enxergá-los, já que alguns chegam a deitar no meio da rua. Foi então que decidi aderir ao projeto com o objetivo de proteger não apenas os animais, mas também os motoristas”, explicou.

De acordo com Vânia, as coleiras refletivas ajudam a evitar atropelamentos porque aumentam a visibilidade dos animais, permitindo que motoristas consigam desviar ou buzinar a tempo.

“Mas isso também depende da consciência de quem está dirigindo, já que a coleira veio justamente para dar visibilidade, refletindo bastante durante a noite”, ressaltou.

No entanto, ela afirmou que o custo para adquirir as coleiras prontas era alto. Por isso, decidiu, junto com o marido, produzir o material em casa. Com o apoio de moradores da cidade, que contribuíram com doações, o casal comprou uma máquina portátil e fitas refletivas.

“Hoje produzimos as coleiras aqui na cidade e acredito que, com os animais mais visíveis, os atropelamentos irão diminuir significativamente, até que a população se conscientize de que o animal de rua também é uma vida, merece respeito e cuidado, pois eles não pediram para ser abandonados”, afirmou.

Outros projetos e desafios

Além das coleiras, Vânia também desenvolve projetos de confecção de roupas de frio e roupas cirúrgicas para cães em situação de rua. Segundo ela, muitos animais precisam dessas vestimentas após a castração, mas os produtos costumam ter custo elevado, o que torna a ajuda da comunidade essencial.

O próximo objetivo da voluntária é adquirir um veículo de carga para facilitar o transporte de animais e de itens como ração. Atualmente, todo o trabalho é feito com o próprio carro.

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