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VULNERABILIDADE

Vítimas silenciosas da mudança climática: calor extremo põe em risco milhares de espécies animais no mundo todo

2 de fevereiro de 2026
Gloria Martín
3 min. de leitura
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Foto: Ilustração | Pixabay

Imagens de ursos polares presos no gelo derretido se tornaram um símbolo da mudança climática. O mesmo acontece com os insetos polinizadores, essenciais para a agricultura, que estão desaparecendo devido à combinação de calor extremo e perda de habitat.

Esse desastre pode desencadear um efeito dominó e colocar em risco a segurança alimentar da humanidade. No entanto, a crise é muito mais ampla e silenciosa. Em florestas, selvas e oceanos ao redor do mundo, milhares de outras espécies já enfrentam um destino igualmente incerto.

O primeiro mamífero extinto devido às mudanças climáticas

A espécie Melomys rubicola, um pequeno roedor noturno que habitava Bramble Cay, um ilhéu localizado nas águas do Estreito de Torres, que separa a Austrália da ilha da Nova Guiné, foi o primeiro mamífero a desaparecer da face da Terra como resultado das mudanças climáticas.

A elevação do nível do mar — resultado do aquecimento global — inundou seu habitat e eliminou a vegetação. Nenhum exemplar foi avistado desde 2009. Em 2016, foi oficialmente declarado extinto.

Um relatório conjunto da ONU e do Centro Nacional de Mitigação da Seca (2023–2025) indica que os elefantes do Parque Nacional de Hwange (Zimbábue) morreram em massa de fome e desidratação durante secas extremas.

O estudo destaca casos semelhantes de hipopótamos presos em rios secos no Botswana e mortes de botos-cor-de-rosa na Amazônia devido às altas temperaturas e aos baixos níveis de água.

Uma ameaça global mais disseminada do que parece

Ondas de calor cada vez mais intensas e prolongadas estão causando estragos em ecossistemas inteiros, alterando os padrões de comportamento animal e levando muitas espécies à beira do colapso.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o planeta registrou um aumento médio de temperatura entre 1,2°C e 1,6°C desde a era pré-industrial.

Embora esse número possa parecer pequeno, suas consequências são terríveis para a vida selvagem.

De fato, um relatório recente da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) alerta que mais de 40% das espécies analisadas apresentam sinais de estresse térmico ou alterações em seu habitat natural devido a temperaturas extremas.

Ecossistemas no limite: do oceano aos desertos

Os oceanos, que absorvem grande parte do calor acumulado na atmosfera, estão atingindo temperaturas recordes. Esse fenômeno causou episódios massivos de branqueamento de corais e consequente morte, como ocorreu na Grande Barreira de Corais, na Austrália.

Esses são ecossistemas subaquáticos que dependem de uma faixa térmica estável e sustentam até 25% da biodiversidade marinha.

Em terra, as consequências são igualmente alarmantes. Na África, o calor extremo está afetando a migração de elefantes e antílopes, que já percorrem longas distâncias em busca de água.

Mas, ao mesmo tempo, secas prolongadas estão reduzindo as fontes de água, levando a mortes em massa. Na América Latina, espécies como a onça-pintada, o bugio-de-manto, o tamanduá-bandeira e a preguiça estão enfrentando mudanças drásticas na disponibilidade de alimentos devido ao declínio das florestas tropicais e savanas.

Aves e anfíbios: entre a desorientação e a extinção

As aves migratórias são outro grupo particularmente vulnerável. Muitas delas sincronizam seus movimentos com as estações do ano, com base em sinais climáticos.

No entanto, a chegada precoce da primavera e as ondas de calor intermitentes estão perturbando as suas rotas, e quando chegam aos seus destinos tradicionais, o alimento é escasso ou as condições são hostis.

Os anfíbios também enfrentam uma situação crítica. Dependentes da umidade, são extremamente sensíveis à perda de água em seu ambiente.

E o aumento das temperaturas não só está secando os corpos d’água onde se reproduzem, como também favorece a disseminação de patógenos mortais, como o fungo quitrídio, que dizimou populações inteiras.

O que pode ser feito?

Especialistas insistem que a redução das emissões de gases de efeito estufa é a medida mais urgente.

No entanto, também são necessárias estratégias de adaptação, como a criação de corredores biológicos para permitir que as espécies se desloquem para áreas mais frias e a restauração de ecossistemas para melhorar sua resiliência.

Governos, organizações ambientais e comunidades locais devem trabalhar juntos para mitigar os impactos. Porque cada décimo de grau que puder ser evitado fará a diferença entre a sobrevivência e a extinção de milhares de espécies.

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