Sob árvores reduzidas a carvão e solo ainda quente, filhotes de canguru tentavam resistir à falta de água no interior da Austrália. O registro feito por bombeiros voluntários mostra um gesto simples e decisivo dar de beber a animais silvestres encurralados pelo fogo, em um território onde a destruição avança mais rápido do que qualquer promessa de recuperação.
Integrantes do Serviço Voluntário de Bombeiros e Resgate de Rockingham e da Brigada Voluntária de Incêndio Florestal de Wanneroo Central localizaram os filhotes durante uma varredura em área atingida pelos incêndios. Desidratados e escondidos sob uma árvore queimada, os cangurus receberam água e passaram por uma checagem rápida para avaliar ferimentos e sinais de exaustão. Segundo o Departamento de Bombeiros e Serviços de Emergência da Austrália Ocidental, após o atendimento, os animais conseguiram se afastar com segurança.
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O vídeo divulgado pelas autoridades ganhou destaque nas redes sociais por o impacto direto das tragédias ambientais sobre a fauna e a responsabilidade humana diante dele. Incêndios florestais não destroem apenas casas e plantações. Eles impõem sofrimento extremo a espécies que não têm rotas de fuga, nem acesso a abrigo ou recursos básicos. Garantir socorro imediato a esses animais é parte essencial de qualquer resposta ética a desastres climáticos.
A cidade de Boddington viveu dias de tensão desde o Natal, quando moradores precisaram deixar suas casas após o fogo consumir mais de 4 mil hectares. Na véspera de Ano Novo, as autoridades informaram que o incêndio estava sob controle e autorizaram o retorno gradual da população, com recomendações de cautela. Ainda assim, alertas permanecem ativos e a orientação oficial é evitar a região, já que novos focos podem surgir a qualquer momento.
Enquanto partes da Austrália Ocidental continuam sob ameaça das chamas, a polícia investiga a suspeita de incêndio criminoso em dois focos registrados perto de Boya, a leste de Perth. Esses focos foram controlados na tarde de 3 de janeiro, mas mostram o tipo de ameaça que vidas humanas e não humanas seguem expostas.
Em um cenário de emergência ambiental contínua, proteger animais silvestres é uma obrigação concreta, que exige preparo, recursos e decisão política para reconhecer que o direito à sobrevivência não existe apenas para os humanos.