Pobres bois. A cena registrada na madrugada deste sábado, 21 de fevereiro, em Jaraguari, a 47 quilômetros de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, mostra mais do que um acidente para testemunhar o destino imposto a quem nasce dentro da lógica da exploração.
Uma carreta que transportava 40 bois tombou no km 511 da rodovia, em um trecho em obras. Pelo menos 10 morreram ali mesmo, os outros ficaram agonizando. O motorista seguia no sentido Campo Grande quando perdeu o controle do veículo em uma descida. A carreta atravessou a pista e caiu no acostamento, sendo contida apenas ao atingir uma escavadeira. Para os animais confinados na carroceria, não houve qualquer possibilidade de escolha ou proteção.
Eram vidas comprimidas, submetidas ao transporte prolongado que abastece o mercado da carne. Com o impacto, parte morreu entre ferragens. Outros permaneceram vivos, feridos e desorientados, aguardando por horas até que a empresa providenciasse a remoção.
Os sobreviventes serão levados a uma fazenda. Os mortos serão descartados. A frieza do termo diz muito sobre o modo como esses seres são tratados. Não há luto público quando bois morrem na estrada. Há registro de ocorrência e cálculo de prejuízo.
A tragédia não começa no momento do tombamento. Ela começa no confinamento, na superlotação, nas viagens longas sob calor, medo e exaustão.