O vereador Inspetor Alberto (PL) foi indiciado pela Polícia Civil por maus-tratos a animais e injúria eleitoral após a divulgação de um vídeo em que aparece agredindo um leitão, puxando-o brutalmente pelas orelhas enquanto o animal grita de dor.
As imagens, veiculadas durante a campanha eleitoral de 2024, revelam não apenas um ato de extrema crueldade, mas também uma tentativa de associar a violência contra o animal a um adversário político, Evandro Leitão (PT), eleito prefeito de Fortaleza em 2025.
“Vai pra panela, desgraça”: violência explícita e ameaças
No vídeo, o parlamentar segura o leitão de forma dolorosa e profere frases de ódio: “Leitão, você vai pra panela. Me aguarde, desgraça. Eu vou comer você bem assadinho, seu b”*.
A Polícia Civil identificou que o termo “Leitão” era uma clara referência a Evandro Leitão, adversário do candidato apoiado por Alberto. O vereador ainda é investigado por ameaça de morte após declarar: “Prepara teu caixão, vagabundo”.
A defesa do vereador alega que “não houve intenção de maus-tratos”, mas as imagens mostram o contrário: um animal sendo submetido a sofrimento desnecessário, apenas para servir de instrumento de agressão política.
O caso gerou revolta entre defensores dos animais e políticos comprometidos com a ética. Deputados e vereadores, como Célio Studart (PSD), Gabriel Biologia (PSOL) e Apollo Vicz (PSD), formalizaram denúncias. O Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-CE) também entrou com representação no Ministério Público e no TRE, pedindo a cassação do mandato do vereador.
Em nota, o CRMV afirmou:
“O vídeo mostra o vereador arrastando e puxando um porco pelas orelhas, em uma clara demonstração de brutalidade e desrespeito pelo bem-estar animal. Este ato, além de inaceitável do ponto de vista ético, ocorre em um momento em que a sociedade clama por respeito e proteção aos direitos dos animais.”
Tentativas fracassadas de justificativa
Ao ser questionado, Inspetor Alberto tentou se defender alegando que o vídeo era antigo e que o animal era “valente”, exigindo que fosse contido pela orelha. No entanto, as imagens desmentem sua versão: o leitão claramente demonstra sofrimento, e a frase “dia 27” – data do segundo turno das eleições – confirma o teor político da agressão.
Este não é o primeiro escândalo envolvendo o vereador, mas pode ser o mais revelador de seu desprezo pela vida – seja animal ou humana. Enquanto a legislação avança no reconhecimento dos direitos animais, casos como esse mostram que figuras públicas ainda os tratam como objetos, seja para diversão, ameaça ou propaganda política.