A rede de lojas de luxo Neiman Marcus estará encerrando as vendas de peles de animais em suas lojas até o começo de 2023. O Grupo Neiman Marcus (The Neiman Marcus Group / NMG) — que inclui a loja de luxo Bergdorf Goodman — removerá todos os produtos que fazem uso de peles de seus websites e fechará seus 22 salões de peles. “Estamos trazendo uma experiência de luxo definitiva aos nossos clientes e suas preferências em progressão. Estaremos atualizando nossa rede de produtos para conter diversas categorias de moda de luxo éticas e sustentáveis”, o CEO da NMG, Geoffroy van Raemdonck, disse. “Está claro que os produtos livres de peles são o futuro, e isto inclui o espaço de ultra-luxo. Como líder em lojas de luxo, o NMG tem a oportunidade de ajudar na construção de um futuro melhor para a indústria. Agradecemos à Sociedade Humanitária dos Estados Unidos por sua parceria.”
A decisão vem após décadas de protestos por grupos de direitos animais, como a Sociedade Humanitária dos Estados Unidos (Humane Society of the United States / HSUS), Pessoas à Favor do Tratamento Ético de Animais (People for the Ethical Treatment of Animals / PETA), Em Defesa dos Animais (In Defense of Animals / IDA), e outras, para dar fim ao comércio de peles e outros materiais de origem animal obtidos por métodos cruéis por parte da Neiman Marcus.
“Trabalhamos com as varejistas na adoção de políticas contra o uso de peles pois elas têm a capacidade de salvar centenas de milhares — talvez milhões — de visons, raposas, cães-guaxinins, coelhos, e chinchilas de vivenciarem o aprisionamento em gaiolas apertadas de fazendas de pele”, a CEO e Presidente da HSUS, Kitty Block, disse. “Além disso, as políticas contra peles ajudam no desenvolvimento de um mundo mais humanitário para animais, desafiando o comércio de peles de frente e eliminando a demanda por seus produtos, tornando sua produção economicamente inviável. A união de uma varejista de luxo líder como a Neiman Marcus à campanha por um mundo mais humano é uma afirmação a todos que enfrentam o uso de peles por tanto tempo. Juntos, com compaixão e perseverança, estamos fazendo uma diferença para tantos animais.”
A presidente da PETA, Ingrid Newkirk esteve pessoalmente fazendo campanhas pelo fim do comércio de peles por parte da Neiman Marcus desde a década de 1980. “Após décadas sendo pressionado por incansáveis ativistas populares e pela PETA, o Grupo Neiman Marcus encerrará a venda de peles na Neiman Marcus e na Bergdorf Goldman”, disse Newkirk. “Muitos milhares de animais serão poupados de serem eletrocutados, gaseados, e espancados até a morte com o fechamento de seus 22 salões de peles. Estamos certos de que a empresa tomará providências mais rapidamente do que declarado pois ninguém mais quer associar-se à indústria de peles.”
A Neiman Marcus é a mais recente varejista a comprometer-se a uma política contra o uso de peles após anúncios semelhantes de outras como a Macy’s, Nordstrom, Saks Fifth Avenue, e (mais recentemente) a canadense Holt Renfrew — que também proibirão as vendas de peles exóticas.
Mais de 1,500 marcas abandonam peles
As estantes das lojas estão a tornar-se cada vez mais livre de peles por outro motivo. Mais de 1,500 marcas aderiram oficialmente à Aliança Livre de Peles, incluindo Adidas, H&M, Prada, Zara, Valentino, e Gucci.
Este mês, após anos de pressão por ativistas de direitos animais, a Canada Goose também aderiu ao movimento e anunciou que deixará de comprar produtos de pele até o fim de 2021 e descontinuará a fabricação dos mesmos até o fim de 2022. A marca anteriormente comprometeu-se a dar fim ao uso de pele “virgem” de coiote em seus colares mas expandiu seu compromisso para todos os itens de pele para assim melhor servir as necessidades de seus clientes. Apesar de proibir peles, a Canada Goose continuará a usar penugens — ou penas de patos e gansos removidos de aves que sofrem imensamente no processo.
As proibições de pele intensificam-se
Em 2023, a Califórnia promulgará sua própria proibição da venda e fabricação de produtos de pele — o primeiro estado americano a adotar tal legislação. As rápidas providências tomadas para a remoção de peles de suas linhas de produtos e estantes permitem que as marcas e lojas continuem operando no estado e as prepara para eventuais restrições extras em outros estados, ou em nível federal, caso mais leis contra o uso de peles sejam aprovadas.
“Neiman Marcus, Saks Fifth Avenue, Nordstrom, Macy’s, Bloomingdale’s, e TJ Maxx agora são parte do grupo em contínua expansão de varejistas humanitárias, deixando claro que o uso de peles é repreensível, ultrapassado, e cruel”, a Ativista de Peles da IDA, Julie Massa, disse. “Nenhum animal deveria morrer pela moda, e insistimos a todos os estados que sigam o exemplo da Neiman Marcus e outras grandes varejistas com a aprovação de proibições legais de todo o comércio de peles.”
Ao redor do mundo, uma crescente lista de países estão a aplicar restrições na produção, fabricação, e venda de produtos de pele. Anteriormente este mês, Israel tornou-se o primeiro país no mundo a banir as vendas de peles (com certas exceções), lei que será promulgada em 2026. No Reino Unido, a Sociedade Humanitária Internacional (Humane Society International / HSI) trabalha para atualizar a proibição de produção de peles de 2003 do país para que inclua a importação e venda das peles de animais cruelmente obtidas com sua campanha Grã-Bretanha Livre de Peles. A campanha da HSI recebe apoio de incontáveis marcas e celebridades, incluindo a estilista Stella McCartney, que recentemente revelou sua coleção de Outono de 2021 chamada “Nossa hora chegou”, enfatizando um futuro livre de peles onde os animais vivem livremente entre os seres humanos.
Logo após o anúncio da Neiman Marcus, a Diretora Executiva da HSI do Reino Unido, Claire Bass, insiste às varejistas de luxo britânicas que adotem proibições de peles. “Quanto mais lojas de luxo aderirem ao fim das peles, mais as últimas lojas de departamento remanescentes no Reino Unido que fazem venda de produtos de pele como Harrods, House of Fraser, Flannels e Harvey Nichols passam a ficar mais isoladas”, Bass disse. “Os produtos de pele estão decididamente fora de moda, a vasta maioria dos consumidores britânicos consideram lojas ainda vendendo pele animal ‘ultrapassadas’, ‘cruéis’, ‘sem noção’ e ‘antiéticas’.”