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SOFRIMENTO SEM FIM

Única no mundo: morte súbita de girafa sem manchas aos dois anos escancara o fracasso do modelo dos zoos

15 de dezembro de 2025
Redação ANDA
3 min. de leitura
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Foto: Brights Zoo

A morte de Kipekee, a única girafa sem manchas do mundo, mostra com crueza uma realidade que os zoológicos insistem em maquiar.

Kipekee tinha apenas dois anos. Uma girafa jovem, especial e rara, transformada em atração desde o nascimento e exibida como exceção biológica. Sua morte repentina em um zoo nos Estados Unidos não é um episódio isolado nem um infortúnio inexplicável. Ela integra uma sequência recente de perdas que revelam o fracasso estrutural dos confinamentos em garantir dignidade, bem-estar e vida plena a animais que jamais deveriam estar aprisionados.

Enquanto o Brights Zoo pede paciência e aguarda uma necropsia, o fato central permanece. Uma girafa que poderia viver por décadas morreu antes de atingir a maturidade. Quando um animal selvagem morre jovem em cativeiro, não se trata de fatalidade.

Nos últimos dias, outras mortes reforçam esse padrão alarmante. Khalid, uma girafa macho de 17 anos, foi submetido à eutanásia no Cheyenne Mountain Zoo após apresentar graves problemas de mobilidade. Baba, uma girafa reticulada idosa, morreu no zoo de Fresno após o agravamento de uma artrite severa. Em ambos os casos, os zoológicos afirmam ter tomado decisões compassivas. Mas a pergunta essencial raramente é feita. Por que esses animais adoeceram dessa forma em primeiro lugar.

Problemas articulares, falhas nos cascos, dores crônicas, dificuldades locomotoras e colapsos físicos são recorrentes entre girafas mantidas presas. São animais preparados para caminhar longas distâncias, explorar territórios extensos, escolher companhias e responder a estímulos complexos da savana.

Em recintos limitados sobre pisos artificiais, com dietas adaptadas e rotinas rígidas, seus corpos pagam o preço.

No caso de Kipekee, sua aparência incomum foi rapidamente dissociada da causa da morte.

Ainda assim, ela foi exibida, fotografada, promovida e transformada em símbolo institucional. A raridade genética virou valor expositivo. Sua individualidade, no entanto, não foi suficiente para protegê-la da lógica que rege os zoos. Animais como ativos, como coleção viva, como espetáculo que não educa sobre liberdade, ecossistemas ou respeito real à vida selvagem.

Zoológicos costumam responder a críticas com narrativas de conservação, pesquisa e educação. No entanto, quando girafas jovens morrem subitamente, adultos são sacrificados por dores incapacitantes e idosos passam os últimos anos medicados para suportar um corpo que já não responde, essas justificativas perdem força. Proteger não é manter vivo a qualquer custo dentro de limites artificiais. Educar não é ensinar crianças a aceitar o confinamento como normal. Cuidar não é esperar o sofrimento se tornar irreversível para então aplicar a injeção final.

A sucessão de mortes recentes não é coincidência. É sintoma. Um modelo ultrapassado que insiste em existir apesar das evidências acumuladas de sofrimento físico, psicológico e social. Cada necropsia anunciada após a morte confirma o óbvio. O conhecimento científico continua sendo produzido a partir de corpos que jamais escolheram estar ali.

Kipekee, Khalid, Baba e outros que morreram recentemente foram privados de uma vida compatível com sua natureza. Suas histórias deveriam levar à sociedade a conclusão definitiva de que zoos são vitrines sem ética.

Enquanto instituições pedem tempo, respeito e compreensão, os animais continuam morrendo atrás de grades. A verdadeira pergunta não é o que matou Kipekee. A pergunta é por que seguimos aceitando que isso aconteça.

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