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AQUECIMENTO GLOBAL

Uma formação do manto de gelo da Gronelândia já derreteu por completo e poderá voltar a acontecer

8 de janeiro de 2026
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Foto: Unsplash

Uma formação do manto de gelo da Gronelândia, conhecida como “Prudhoe Dome” e atualmente com cerca de 500 metros de espessura, terá derretido por completo há aproximadamente 7.000 anos, durante um período de aquecimento natural do clima. A conclusão consta de um estudo publicado na revista Nature Geoscience e sublinha a elevada sensibilidade do manto de gelo da Gronelândia ao aumento das temperaturas.

Segundo os investigadores, um aquecimento semelhante ao que é projetado para o final deste século poderá provocar perdas comparáveis de massa de gelo, com consequências diretas na subida do nível do mar.

Compreender a forma como o manto de gelo da Gronelândia reagiu a períodos quentes no passado é fundamental para antecipar a sua evolução num contexto de aquecimento global acelerado. Até agora, o conhecimento sobre a retração do gelo para o interior tem sido limitado, uma vez que muitos dos registos geológicos permanecem soterrados sob o gelo atual. Esta lacuna inclui o período do Holocénico médio, entre há cerca de 5.000 e 1.000 anos, quando as temperaturas regionais poderão ter sido superiores às atuais.

No novo estudo, Caleb Walcott-George e a sua equipa perfuraram mais de 500 metros de gelo na região do “Prudhoe Dome”, recolhendo sedimentos e amostras de gelo. A análise da camada superior dos sedimentos revelou que esta esteve exposta à luz solar pela última vez há cerca de 7.100 anos, indicando que a área se encontrava então livre de gelo.

Medições isotópicas do gelo imediatamente acima dos sedimentos mostram ainda que não subsiste gelo da última idade glaciária, reforçando a hipótese de que esta formação do manto de gelo derreteu totalmente antes de se formar novamente. Os investigadores estimam que, na altura, as temperaturas de verão eram 3 a 5 graus Celsius mais elevadas do que as atuais — valores semelhantes aos previstos pelos modelos climáticos para o ano 2100.

Os resultados evidenciam o risco de novas perdas significativas de gelo caso o aquecimento global prossiga, embora permaneça incerto quanto tempo demoraria um processo de degelo completo em condições semelhantes. Os autores defendem que serão necessárias mais perfurações e amostras em diferentes zonas da Gronelândia para reconstruir a história do recuo do gelo e melhorar as previsões sobre a futura subida do nível do mar.

Fonte: Greensavers

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