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ESTUDO

Um dos animais mais inteligentes do mundo: corvos podem construir suas próprias ferramentas

Além de usar gravetos e folhas para alcançar alimentos escondidos, estudos mostram que essa ave consegue montar instrumentos

2 de fevereiro de 2026
3 min. de leitura
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Foto: depositphotos.com / kwasny222

Em uma pequena ilha do Pacífico Sul, o corvo-da-Nova-Caledônia (Corvus moneduloides) chamou a atenção de pesquisadores por fabricar ferramentas complexas.

Além de usar gravetos e folhas para alcançar alimentos escondidos, estudos de Oxford mostram que essa ave consegue montar instrumentos a partir de várias peças separadas, algo antes descrito apenas em humanos e grandes primatas.

O que é o corvo-da-Nova-Caledônia e por que ele interessa à ciência?

O corvo-da-Nova-Caledônia vive em florestas e áreas arborizadas desse território do Pacífico e se destaca pelo comportamento inovador no uso de objetos. Ele utiliza gravetos, folhas e outros materiais para acessar larvas, insetos e pequenos pedaços de comida em fendas e cavidades.

Desde o início dos anos 2000, experimentos em cativeiro e observações na natureza mostram que essa espécie não só utiliza ferramentas, como também as modifica, dobrando arames ou ajustando galhos.

Assim, tornou-se um dos principais modelos de estudo sobre cognição em aves e evolução do uso de ferramentas.

Como o corvo-da-Nova-Caledônia monta ferramentas compostas?

Em experimentos, os corvos receberam um desafio: obter comida em uma caixa com abertura estreita e profunda, acessível apenas com um objeto comprido. Primeiro, eles usaram gravetos longos já prontos, resolvendo a tarefa com facilidade.

Depois, os pesquisadores ofereceram apenas partes curtas, que sozinhas não alcançavam o alimento, mas podiam ser encaixadas entre si como tubos e hastes.

Alguns corvos passaram a unir duas, três ou até quatro peças para formar uma ferramenta longa e funcional, sem demonstração humana.

Como os experimentos com o corvo-da-Nova-Caledônia são conduzidos?

Os estudos seguem protocolos de laboratório com “quebra-cabeças” físicos, como caixas transparentes, aberturas estreitas e recipientes com alimento. A dificuldade aumenta gradualmente, exigindo que a ave manipule objetos de tamanhos e formatos variados.

Para entender melhor esse processo, os pesquisadores costumam estruturar as tarefas em etapas sucessivas, observando o desempenho dos animais em cada fase:

  • Primeiro, oferece-se uma ferramenta longa já pronta, com solução simples.
  • Depois, disponibilizam-se apenas partes curtas ou materiais desconectados.
  • Em seguida, introduzem-se peças que podem ser encaixadas de diferentes maneiras.
  • Por fim, testa-se se o corvo repete e aprimora a mesma estratégia em novos desafios.

Confira o registro da Universidade de Oxford sobre o corvo utilizando ferramentas:

O que a habilidade do corvo-da-Nova-Caledônia revela sobre cognição animal?

A montagem de ferramentas compostas indica um nível de flexibilidade cognitiva pouco comum no reino animal. Pesquisadores discutem se o corvo age apenas por tentativa e erro ou se cria representações mentais das combinações possíveis antes de agir.

Esse comportamento sugere formas de planejamento e antecipação de resultados, antes atribuídas quase exclusivamente a mamíferos de grande porte.

Ele também fornece um modelo comparativo para entender como diferentes cérebros evoluíram capacidades semelhantes de resolução de problemas.

Como esses estudos com o corvo-da-Nova-Caledônia influenciam outras áreas?

A pesquisa com essa espécie inspira algoritmos em robótica e inteligência artificial, que buscam estratégias flexíveis para solucionar situações novas. As formas de combinação de peças e ajuste de ferramentas servem como referência para sistemas capazes de explorar e adaptar soluções.

Na biologia evolutiva, a comparação entre aves, primatas e humanos ajuda a identificar habilidades cognitivas que surgiram de forma independente em linhagens distintas. Assim, o corvo-da-Nova-Caledônia segue no centro dos debates sobre inteligência animal e uso de ferramentas.

Fonte: O Antagonista

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