Na biologia evolutiva, a comparação entre aves, primatas e humanos ajuda a identificar habilidades cognitivas que surgiram de forma independente em linhagens distintas. Assim, o corvo-da-Nova-Caledônia segue no centro dos debates sobre inteligência animal e uso de ferramentas.
Em uma pequena ilha do Pacífico Sul, o corvo-da-Nova-Caledônia (Corvus moneduloides) chamou a atenção de pesquisadores por fabricar ferramentas complexas.
Além de usar gravetos e folhas para alcançar alimentos escondidos, estudos de Oxford mostram que essa ave consegue montar instrumentos a partir de várias peças separadas, algo antes descrito apenas em humanos e grandes primatas.
O que é o corvo-da-Nova-Caledônia e por que ele interessa à ciência?
O corvo-da-Nova-Caledônia vive em florestas e áreas arborizadas desse território do Pacífico e se destaca pelo comportamento inovador no uso de objetos. Ele utiliza gravetos, folhas e outros materiais para acessar larvas, insetos e pequenos pedaços de comida em fendas e cavidades.
Desde o início dos anos 2000, experimentos em cativeiro e observações na natureza mostram que essa espécie não só utiliza ferramentas, como também as modifica, dobrando arames ou ajustando galhos.
Assim, tornou-se um dos principais modelos de estudo sobre cognição em aves e evolução do uso de ferramentas.
Como o corvo-da-Nova-Caledônia monta ferramentas compostas?
Em experimentos, os corvos receberam um desafio: obter comida em uma caixa com abertura estreita e profunda, acessível apenas com um objeto comprido. Primeiro, eles usaram gravetos longos já prontos, resolvendo a tarefa com facilidade.
Depois, os pesquisadores ofereceram apenas partes curtas, que sozinhas não alcançavam o alimento, mas podiam ser encaixadas entre si como tubos e hastes.
Alguns corvos passaram a unir duas, três ou até quatro peças para formar uma ferramenta longa e funcional, sem demonstração humana.
Como os experimentos com o corvo-da-Nova-Caledônia são conduzidos?
Os estudos seguem protocolos de laboratório com “quebra-cabeças” físicos, como caixas transparentes, aberturas estreitas e recipientes com alimento. A dificuldade aumenta gradualmente, exigindo que a ave manipule objetos de tamanhos e formatos variados.
Para entender melhor esse processo, os pesquisadores costumam estruturar as tarefas em etapas sucessivas, observando o desempenho dos animais em cada fase:
- Primeiro, oferece-se uma ferramenta longa já pronta, com solução simples.
- Depois, disponibilizam-se apenas partes curtas ou materiais desconectados.
- Em seguida, introduzem-se peças que podem ser encaixadas de diferentes maneiras.
- Por fim, testa-se se o corvo repete e aprimora a mesma estratégia em novos desafios.
Confira o registro da Universidade de Oxford sobre o corvo utilizando ferramentas:
O que a habilidade do corvo-da-Nova-Caledônia revela sobre cognição animal?
A montagem de ferramentas compostas indica um nível de flexibilidade cognitiva pouco comum no reino animal. Pesquisadores discutem se o corvo age apenas por tentativa e erro ou se cria representações mentais das combinações possíveis antes de agir.
Esse comportamento sugere formas de planejamento e antecipação de resultados, antes atribuídas quase exclusivamente a mamíferos de grande porte.
Ele também fornece um modelo comparativo para entender como diferentes cérebros evoluíram capacidades semelhantes de resolução de problemas.
Como esses estudos com o corvo-da-Nova-Caledônia influenciam outras áreas?
A pesquisa com essa espécie inspira algoritmos em robótica e inteligência artificial, que buscam estratégias flexíveis para solucionar situações novas. As formas de combinação de peças e ajuste de ferramentas servem como referência para sistemas capazes de explorar e adaptar soluções.
Fonte: O Antagonista