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"DOR IMENSA"

Tutora denuncia assassinato brutal de cadela a tesouradas em pet shop de Belo Horizonte (MG)

27 de fevereiro de 2025
6 min. de leitura
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Foto: Divulgação

A tutora de uma cadela da raça spitz alemão denuncia o assassinato brutal da cachorra a tapas e tesouradas na cabeça dentro do PetJet, localizado no bairro Lourdes, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. A situação ocorreu na última quinta-feira (20 de fevereiro). Os laudos de exames de imagem e a necropsia realizados no Hospital Veterinário São Francisco de Assis confirmam que a cadelinha, que se chamava Zoe, sofreu politraumatismo, com diversas perfurações de objetos pontiagudos na cabeça.

Além disso, vídeos das câmeras de segurança da pet shop, encaminhados à Polícia Civil, supostamente mostram a agressão, que teria sido cometida por um tosador da clínica. O estabelecimento, por meio de nota, lamentou o ocorrido e informou que demitiu o funcionário que teria cometido o crime. Além disso, medidas legais foram tomadas.

“É um sentimento de indignação, uma dor imensa”, desabafa a tutora e dentista Flávia Corrage. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) abriu um inquérito para apurar o crime. Flávia relata que, segundo as imagens analisadas, o motivo da agressão teria sido o fato de a cachorrinha ter urinado logo após o banho tomado na clínica. A família já era cliente do local e havia utilizado os serviços de banho e tosa outras vezes.

“A imagem é nítida. A Zoe já tinha tomado banho e fez xixi na patinha de trás. Ele (o tosador) fica com raiva. Primeiro, dá nela um ‘tapão’, o que provavelmente já a fere, já que ela só tinha 3 kg. Depois, quando ela toma outro banho e volta para a mesa de tosa, ele dá as tesouradas. Perfurou o crânio dela todo”, relata, com sofrimento.

No dia da morte, no entanto, a história que contaram para a tutora foi diferente. Após demorarem horas para dar notícias sobre Zoe, a pet shop ligou para Flávia dizendo que a spitz alemão estava “passando mal”.”Quando cheguei, a Zoe estava enrolada em uma toalha gelada. A veterinária segurava um ventilador perto dela e me disse que a Zoe tinha passado mal por causa do calor. Ela já estava desacordada, convulsionando”, conta.

A família só descobriu o politraumatismo quando levou a cadela, acompanhada da veterinária da pet shop, para o Hospital Veterinário São Francisco de Assis. Zoe não resistiu aos ferimentos.”Eu chamei a polícia, e o tosador encenou uma história de que a cachorra ‘ficou molinha’ e bateu a cabeça na tesoura. A Justiça precisa ser feita”, continua Flávia. Segundo ela, Zoe era a paixão de sua enteada, de 11 anos, que passou por uma série de lutos recentemente. A perda da cachorra tem sido ainda mais dolorosa por causa da dor da menina.”Não é só pela perda cruel. A Zoe era o apoio de uma criança que assistiu à morte da mãe. Ela cuidava da cachorrinha, fazia picolé de melancia para ela. Está inconsolável”, lamenta.

A família registrou um boletim de ocorrência sobre o caso, e a Polícia Civil já abriu um inquérito para investigar a morte. Espera-se que o suspeito, o tosador da clínica, seja intimado a depor nos próximos dias. O caso está sendo acompanhado pelo gabinete do vereador Osvaldo Lopes (Republicanos).”Um homem que tivesse tesourado a cabeça de outro já estaria preso agora. Queremos justiça. Acreditamos no trabalho da Polícia Civil para tomar todas as providências necessárias”, diz o vereador.

Ameaça

A tutora Flávia denuncia que está sendo ameaçada pela companheira do suspeito, que a assedia com mensagens como “Você quem vai pagar por isso” e “Se eu responder pelo ocorrido, você também vai”. Um boletim de ocorrência específico sobre as ameaças foi registrado.

O que diz a pet shop?

“Com profundo pesar, viemos a público nos manifestar sobre um fato isolado e inaceitável que ocorreu em nossa empresa. Sempre tivemos como princípio o respeito e o amor pelos animais, colocando o bem-estar deles acima de tudo. No entanto, mesmo com todo o cuidado e carinho que sempre tivemos, fomos surpreendidos por uma atitude cruel e inesperada de um colaborador que trabalhava conosco há cerca de dois anos, sem nunca ter demonstrado qualquer comportamento agressivo.

Infelizmente, uma cachorrinha sob os cuidados desse ex-funcionário saiu machucada de nossa empresa, e, apesar de todos os esforços para salvá-la, não resistiu. Prestamos toda a assistência necessária, juntamente com a família, levamos imediatamente para um hospital veterinário e fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, mas, infelizmente, não conseguimos evitar essa perda irreparável.

Estamos profundamente abalados, sentindo uma dor imensa e um sentimento de impotência indescritível. Dedicamos nossas vidas a esse trabalho, sempre com muito amor e responsabilidade, e jamais imaginamos que algo assim poderia acontecer dentro do nosso espaço.

Diante disso, tomamos todas as medidas legais cabíveis contra o ex-colaborador, inclusive partiu de nós, imediatamente o denunciar junto à autoridade competente. Seguimos prestando total assistência à família da cachorrinha, pois sabemos que nada pode reparar essa perda. Além disso, mesmo com todos os cuidados que sempre tivemos, esse episódio nos fez repensar se faz sentido continuar. Neste momento, estamos considerando encerrar nossas atividades, pois nunca queríamos que algo assim ocorresse, e a dor dessa situação nos fez questionar tudo.

Pedimos desculpas a todos os clientes e amantes dos animais que sempre confiaram em nós. Nossa história sempre foi construída com amor e respeito aos animais, e é com o coração partido que nos manifestamos neste momento tão difícil.

Aos nossos demais colaboradores e famílias, sempre tão carinhosos e cuidadosos, que também são impactados pela decisão, sentimos muito. Muito obrigada pela parceria e por estarem ao nosso lado por tantos anos”.

Lei Sansão

Maltratar animais é crime no Brasil. Desde setembro de 2020, a Lei 14.064, que serviu de marco na luta contra essa crueldade, endureceu as penas para quem praticasse condutas contra cães e gatos. A legislação ficou conhecida como Lei Sansão, em homenagem a um cachorro da raça pit bull que teve as pernas traseiras decepadas em Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte.

A partir da lei, a pena para maus-tratos contra cães e gatos aumentou de 3 meses a 1 ano de detenção (que podia ser cumprida em regime aberto ou semiaberto) para 2 a 5 anos de reclusão (em regime fechado), além de multa e perda da guarda do animal. Caso o crime resulte em morte, a pena pode ser aumentada em até 1/3. Antes, os crimes eram considerados de menor potencial ofensivo.

Criador da Lei Sansão, o deputado federal Fred Costa (PRD) pontua que a legislação foi o “maior avanço na luta pelo bem-estar animal”.”A lei é uma quebra de paradigma entre impunidade e lei exemplar para bandido covarde que comete crime contra animais. Antes, não havia a possibilidade de ser preso em flagrante, e agora só tem a opção de responder em liberdade por audiência de custódia”, afirma.

Fonte: O Tempo

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