EnglishEspañolPortuguês

IRRESPONSABILIDADE

Turista é alvo de investigação após dar cerveja a um elefante em reserva no Quênia

Autoridades quenianas investigam vídeo divulgado nas redes sociais que mostra homem oferecendo a bebida em reserva de Laikipia

29 de agosto de 2025
3 min. de leitura
A-
A+
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um vídeo divulgado nas redes sociais recentemente por um turista espanhol causou forte indignação no Quênia ao mostrar o homem bebendo uma lata de cerveja Tusker e despejando o restante na tromba de um elefante. A cena, filmada em uma área de conservação, rapidamente mobilizou autoridades locais e ambientalistas, levantando questionamentos sobre os protocolos de visitação em reservas naturais.

A autenticidade das imagens foi confirmada pela BBC, com base na análise do terreno e na identificação de um elefante macho com presas marcantes, possivelmente o “Bupa”, residentes na Conservancy Ol Jogi, no condado de Laikipia. A reserva, com cerca de 500 elefantes sob sua proteção, tem histórico de resgate de animais órfãos e iniciativas de reintrodução à vida selvagem.

O Serviço de Vida Selvagem do Quênia (KWS), órgão encarregado da proteção da fauna no país, confirmou a abertura de uma investigação sobre o incidente, conforme declaração do porta-voz Paul Udoto à BBC.

O elefante em questão foi resgatado no Zimbábue em 1989, quando tinha oito anos, após um massacre de elefantes, e desde então vive na reserva, tornando-se um dos animais mais fotografados pelos visitantes.

Além disso, o mesmo usuário, que se denomina Skydive_Kenya nas redes sociais, havia publicado outras cenas polêmicas: alimentando rinocerontes com cenoura em Ol Pejeta Conservancy, atitude proibida, segundo Thige Njuguna, representante da reserva, que ressaltou que “não deveriam tocar nos rinocerontes, eles não são animais domésticos”.

Para especialistas em conservação, esse tipo de comportamento é perigoso e engana o público ao retratar os animais selvagens como domesticáveis. A bióloga queniana e conservacionista de elefantes Dr. Winnie Kiiru destacou que “cerca de 95% dos elefantes do Quênia são selvagens, e é errado ter postagens nas redes sociais que dão a impressão de que você pode se aproximar e alimentá-los”.

O episódio ocorre apenas uma semana após outra controvérsia: turistas foram flagrados obstruindo a migração anual dos gnus no Maasai Mara, uma das maiores exibições naturais do planeta. As imagens mostravam visitantes fora de seus veículos, forçando os animais a atravessarem um rio repleto de crocodilos. O fato gerou forte reação e levou o Ministério do Turismo a anunciar medidas mais rígidas, como sinalização reforçada, restrição de áreas de descida dos veículos e fiscalização dos operadores turísticos.

Diante do contexto, cresce o debate sobre o turismo sustentável no Quênia. O setor representa mais de 10% do PIB nacional e atrai mais de dois milhões de visitantes por ano, muitos em busca da vida selvagem e migrações espetaculares.

Fonte: O Globo

    Você viu?

    Ir para o topo