O supremo tribunal de apelações da França determinou que a caça de pássaros canoros com armadilhas de cola é ilegal, alegando que a isenção que permitia a prática infringia a legislação europeia.
Por gerações, caçadores majoritariamente no sul da França capturaram canoros cobrindo galhos de árvores com cola, comumente usando o canto de outros pássaros engaiolados para atrair os pássaros para a terra. As aves são presas por esporte ou para alimentação.
Caçadores dizem que os canoros são soltos, ilesos, posteriormente, mas críticos dizem que a técnica invariavelmente leva à captura de uma grande variedade de pássaros que são muitas vezes feridos, inclusive tendo suas penas danificadas ou arrancadas.
A legislação europeia proíbe a prática desde 1979, considerando-a cruel e um perigo para espécies ameaçadas. A França foi o único país da UE que forneceu uma isenção para a proibição, sob um decreto de 1989, permitindo a captura com cola contanto que fosse “seletiva, controlada e em quantidade limitada”.
Num comunicado na segunda-feira, o tribunal disse que tinha cancelado a lei francesa que permitia caça por cola, depois que o tribunal de justiça europeu decidiu que a prática não era seletiva e que infringia as regras da UE.
Nem o governo nem a federação de caçadores franceses tinham apresentado “prova suficiente” de que outras aves além dos alvos da caça não sofreram com a prática, ou que elas foram soltas sem nenhum dano físico, afirmou o tribunal em sua decisão.
O tribunal da UE decidiu que as aves capturadas, mesmo se limpas e então soltas, podem sofrer danos irreparáveis.
Allain Bougrain-Dubourg, diretor da liga francesa de proteção de aves, disse à AFP: “Finalmente, nós estamos virando a página dessa prática de caça de outra época e estamos entrando no século 21 que é mais respeitoso com o meio-ambiente”.
Ele adicionou, contudo, que outras práticas de caça “inaceitáveis” ainda precisam ser proibidas.
Mas o presidente da associação nacional em favor da caça ao tordo, Eric Camoin, disse que o tribunal tinha “cedido ao lobby do ministro do meio-ambiente e dos inimigos da caça”.
A França foi o último membro da UE a continuar permitindo as armadilhas numa cota anual de 42.000 pássaros, mas o Presidente Emmanuel Macron suspendeu a caça em agosto do ano passado, enquanto aguardava a decisão do tribunal da UE.
Dois grupos de campanha tinham aberto um processo contra o ministério francês do meio-ambiente, argumentando que a prática “bárbara” constituía crueldade contra os animais.
Ativistas dizem que 150.000 aves morrem anualmente na França devido a técnicas de caça não seletivas, como armadilhas de cola e redes, em um momento em que a população de pássaros da Europa está em queda livre.