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DENÚNCIA

Temporada de caça: vídeo mostra três golfinhos sendo capturados e levados para destino desconhecido no Japão

Historicamente, os golfinhos capturados na região são destinados à venda para aquários e parques marinhos ou mortos para abastecer o mercado de carne, prática que sustenta economicamente a temporada de caça.

21 de fevereiro de 2026
Redação ANDA
4 min. de leitura
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Foto: Dolphin Project

Na pequena vila costeira de Taiji, no Japão, conhecida internacionalmente pela temporada anual de caça a golfinhos, três golfinhos-nariz-de-garrafa foram capturados e retirados da água em uma operação recente. Mesmo com os barcos de caça permanecendo no porto, os animais foram colocados em redes, içados para fora do mar, encaixotados e transportados em um caminhão. Um vídeo divulgado mostra que, durante o processo, um deles sofreu um ferimento visível na nadadeira peitoral, com sangramento aparente.

O destino dos golfinhos não foi divulgado. A Dolphin Project, principal ONG lutando para mudar o destino desses golfinhos, aponta que, historicamente, animais capturados na região são vendidos vivos para aquários e parques marinhos, abastecendo a indústria do entretenimento com mamíferos marinhos.

Uma prática documentada e denunciada há décadas

A caça em Taiji ocorre anualmente entre 1º de setembro e 1º de março, com autorização da Agência de Pesca do Japão e sob um sistema de cotas para determinadas espécies. A prática ganhou repercussão mundial após o lançamento do documentário vencedor do Oscar The Cove, que revelou as técnicas de condução usadas para encurralar grupos inteiros de golfinhos em enseadas rasas.

Durante cerca de seis meses, embarcações cercam os animais em mar aberto e os empurram até a costa. Ali, parte deles é selecionada para venda viva, geralmente os indivíduos mais jovens ou considerados “aptos” para exibição, enquanto outros são mortos para consumo da carne. O valor pago por um golfinho vivo pode superar amplamente o obtido com a venda da carne, tornando o comércio para cativeiro um dos principais motores econômicos da atividade.

Segundo ONGs, o sindicato pesqueiro local coordena as caçadas com apoio de representantes de centros de cativeiro, que participam da seleção dos animais.

Golfinhos têm reprodução lenta, longos períodos de gestação e forte vínculo social. A separação forçada de grupos familiares, a perseguição intensa e a contenção física, como no caso recente, em que um dos animais saiu ferido, são apontadas como causas de estresse e trauma.

Pressão internacional e resistência local

Desde 2003, o Dolphin Project mantém presença constante em Taiji para documentar as caçadas e transmitir imagens ao vivo. A organização afirma atuar em parceria com ativistas japoneses e acompanhar ações judiciais que contestam a prática nos tribunais do país.

Além da luta das organizações em defesa dos direitos animais, a mudança passa também pelo consumidor. enquanto houver demanda por shows e interações com golfinhos em cativeiro, a captura seguirá sendo economicamente vantajosa.

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