Pesquisadores da Universidade Penn State, nos Estados Unidos, identificaram uma ameaça crescente à saúde pública relacionada ao consumo de produtos de origem animal. Trata-se da Salmonella Dublin, uma bactéria encontrada em bois e vacas que já apresenta resistência a diversos antibióticos, tornando-se uma superbactéria de difícil tratamento.
A transmissão pode ocorrer pelo consumo de carne, leite e derivados contaminados, além do contato direto com os animais. Os efeitos em humanos são graves, incluindo infecções persistentes, septicemia, longos períodos de internação e risco de morte.
Especialistas alertam que este não é um caso isolado. A maior parte das epidemias e pandemias recentes está relacionada ao uso de animais como alimento. A resistência antimicrobiana, considerada pela Organização Mundial da Saúde uma das maiores ameaças globais, tem avançado principalmente devido ao uso indiscriminado de antibióticos em criações animais, prática comum na pecuária intensiva para acelerar o crescimento e prevenir doenças em ambientes de confinamento.
Se essa tendência não for revertida, estima-se que até 2050 o número de mortes anuais por infecções resistentes a antibióticos chegue a 10 milhões de pessoas, superando o total de mortes atuais por câncer. O impacto seria devastador não apenas para a saúde humana, mas também para os sistemas de saúde, que enfrentariam um colapso diante de infecções simples que voltariam a ser letais.
Organizações de defesa animal e da saúde pública reforçam que repensar o consumo de produtos de origem animal é urgente. A redução da demanda por carne, leite e derivados não apenas diminui o sofrimento animal e a destruição ambiental, como também é um passo fundamental para frear a escalada da resistência antimicrobiana. O que está em jogo é a proteção da vida em todas as suas formas e a construção de um futuro mais seguro para humanos e não humanos.