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ABAIXO-ASSINADO

SOS Políticas Públicas para Animais Domésticos e de Rua em São Raimundo Nonato (PI)

17 de abril de 2024
Naya Fernandez
4 min. de leitura
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Foto; Divulgação

Em janeiro, nos mudamos para uma casa de chácara onde vivia um casal de cachorros em estado de semi-abandono e maus tratos. O tutor trazia alimentação e se comprometeu a leva-los ao veterinário se necessário, como condição de continuarem morando na varanda da nossa casa – sabíamos que seriam amarrados de volta em uma árvore no terreno onde viveram por anos debaixo do sol e chuva do semi-árido do Piauí.

Em menos de 15 dias morando nessa propriedade, a fêmea entrou no cio. E por total negligência o macho acabou morrendo depois de enfrentar numerosas brigas com cachorros que entravam pelo cercado para cruzar com a fêmea.

Mesmo avisando diariamente da situação degradante que estavam passando (a fêmea no cio amarrada em uma corda e o macho com todos os ferimentos e sequencia de brigas), o tutor não fez nada positivo além de dizer que era normal, que sempre ocorria e que aplicaria a vacina anti-cio para “cortar o cio” da cadelinha.

Uma noite de muita chuva, ele chegou a retira-la da varanda e amarra-la na árvore do terreno ao lado como se nossos alertas fossem sobre nós e não pelo sofrimento dos cachorros. Resgatamos ela da árvore e a trouxemos de volta para um local seco e com comida. Não pudemos tolerar tal desumanidade.

No dia que o Max morreu o tutor formalizou que não queria mais a fêmea e a partir daí, com cuidados veterinários, entendemos que ela estava anêmica, com uma doença chamada erliquiose causada por carrapatos, desenvolveu uma infecção e estava prenha condenada a morrer no parto se não tivesse uma cesariana para ganhar os filhotes.

O antigo tutor aplicou a vacina anti-cio na Nina durante o cio esperando que ela não engravidasse, provando que a desinformação é uma realidade muito perversa. Nós, por outro lado, nunca havíamos escutado falar dessa vacina tão utilizada nessa região sem acompanhamento médico. Ela custa apenas R$ 5,00 enquanto a castração de uma cadela do porte de Nina custa R$ 920,00.

Não existe castração a preços sociais, nem tampouco eventuais campanhas de castração gratuita na cidade, apesar de já estarem em andamento no estado do Piauí pelo programa ECO Piauí.

Temos total confiança que se não tivéssemos adotado e tratado da Nina, ela também morreria por total falta de informação e negligência.

Agora a Nina tem amor e cuidados. Passou pela cirurgia cesariana e ganhou 8 filhotes lindos, além de ter sido castrada. Mas não temos condições de ficar com seus filhotes.

Somos recém-chegados na cidade e temos pouca rede de apoio, portanto nos sentimos muito inseguros com o futuro dessa ninhada. O que nos garante que não terão o mesmo destino do Max e da Nina caso não a tivéssemos adotado?

Isso é uma realidade para muitos animais em São Raimundo Nonato, Piauí. A falta de apoio do poder público e informações adequadas sobre cuidados com animais resulta em sofrimento desnecessário e a morte precoce para esses seres indefesos.

Estamos pedindo compromisso pelo menos um (01) mutirão público de castração por ano, para controlar a população animal local, e suporte para que serviços veterinários existentes possam ser mais acessíveis para a população carente e para as duas ONGs presentes na cidade, especialmente no que diz respeito à cirurgias de castração.

Outra demanda de suma importância é a implantação de um centro de zoonoses que atenda seguindo rigidamente o articulo 4 da Declaração Universal dos Direitos dos Animais – Unesco – ONU, para evitar que doenças de animais sejam transmitidas a nós humanos e para que atendimentos veterinários gratuitos sejam oferecidos para a população e ONGs que atendem os animais de rua da cidade, em especial para cães de porte grande.

Além disso, e muito mais acessível de maneira imediata por parte das autoridades, é a elaboração de material informativo disponível publicamente sobre os cuidados adequados com os animais de estimação para educar os tutores sobre suas responsabilidades e penas em caso de descumprimento.

Atualmente, é indiscutível: os animais estão protegidos por leis e qualquer um que atente contra eles está sujeito a responder pelo crime. No Brasil a crueldade contra animais passou a ser condenada no artigo 225 da Constituição de 1988 e a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98) também foi um avanço ao criminalizar o ato de abusar, maltratar, ferir ou mutilar bichos. 

Com essas demandas sendo consideradas e implementadas pelos órgãos públicos da cidade de São Raimundo Nonato, acreditamos que poderemos começar a evitar mais casos como o de Max e Nina ocorram no futuro.

Por favor assine esta petição para ajudar a fazer uma mudança positiva na vida dos nossos amigos peludos em São Raimundo Nonato, Piauí.

A lista de assinaturas será entregue, juntamente com outra lista física que coletaremos pela cidade, aos responsáveis na prefeitura. E seguiremos cobrando um mínimo de medidas de proteção até que sejam implementadas.

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