Nas manhãs de Natal, por volta das 7 horas, Darren Genson vai até um canil e passa duas horas passeando com cães. Ele fez o mesmo no dia de Ano-Novo.
“Os cães não têm folga”, disse Genson, que vive em Millersville, no estado de Maryland. “Esses cães não têm o luxo de viver com alguém.”
Desde 2018, Genson é voluntário nos Serviços de Animais do Condado de Anne Arundel, nos Estados Unidos. Ele trabalha em tempo integral como corretor de seguros, mas faz trabalho voluntário no canil todas as manhãs antes de ir para o trabalho.
“A menos que eu esteja doente ou que aconteça algo realmente inevitável, estou lá praticamente todos os dias”, afirmou Genson, acrescentando que o canil fica a cerca de sete minutos de carro de sua casa. Ele conheceu o abrigo quando adotou uma cadela, Charli, em 2015. Ele e a esposa haviam ido ao local para doar ração depois que seu pit bull, Rock, morreu. No abrigo, o casal conheceu Charli, também uma pit bull, e decidiu levá-la para casa.
“Ela é maravilhosa”, disse Genson. “É uma cadela muito bonita.”
Os funcionários do abrigo alertaram os Genson de que Charli havia sido devolvida duas vezes após adoções anteriores — provavelmente por comportamentos destrutivos. Ainda assim, eles não se deixaram desanimar. “Ela acabou comendo quatro sofás nos primeiros anos”, contou Genson. “Dois deles até a estrutura.”
Mesmo assim, nunca consideraram devolvê-la ao canil. “Sempre que adotamos um animal, não pensamos nisso como adotar um animal de estimação ou um objeto; é como adotar uma criança”, disse ele. “Você simplesmente não devolve, a menos que haja um perigo iminente.”
Com o tempo, o comportamento de Charli melhorou gradualmente. Alguns anos depois da adoção, em 2018, Genson e a esposa levaram para casa um gato idoso do abrigo. Um dos voluntários incentivou Genson a também se tornar voluntário.
“Me apaixonei imediatamente pela ideia”, disse. “Estou me aproximando da idade da aposentadoria e quero ter algo produtivo para fazer depois que me aposentar.”
Ele começou fazendo trabalho voluntário algumas manhãs por semana — passeando com os cães, fazendo carinho e passando tempo com eles nas baias. Pouco depois, passou a comparecer todas as manhãs, por cerca de duas horas.
“É mais barato do que terapia”, brincou. “Ajuda muito a liberar as frustrações do dia a dia, sabendo que você está ajudando outra criatura que está em uma situação muito difícil. Isso conforta a alma.”
Cerca de um ano após iniciar o voluntariado, Genson passou a se sentir especialmente ligado aos cães mais difíceis — aqueles que tinham medo de humanos, talvez por terem sofrido maus-tratos ou abandono. Havia um cão chamado Ace que havia sido considerado “inadotável”, e Genson se comprometeu a trabalhar com ele para melhorar seu comportamento.
“Havia cães que simplesmente não saíam”, explicou Genson, referindo-se aos animais considerados de “alto risco” de morder ou fugir e que, por isso, não eram levados para passeios por voluntários. Ele trabalhou junto com funcionários do abrigo e agentes de controle animal para aprender a melhor forma de se aproximar desses cães e ajudá-los a ganhar confiança.
“Eles me ajudaram e me deram algumas orientações”, contou, lembrando que Ace acabou sendo adotado.
Atualmente, Genson passa tempo todos os dias com os cães mais problemáticos do abrigo. Ele passeia de quatro a seis cães por turno e, dependendo do animal, às vezes passa até 30 minutos dentro da baia, oferecendo petiscos e ajudando-os a se sentirem mais seguros.
“Esses cães estão aterrorizados”, explicou.
Como seu horário de voluntariado é consistente, Genson consegue se dedicar sempre aos mesmos cães, que se beneficiam mais do contato contínuo com um único cuidador do que com vários voluntários rotativos.
“Ele assume os casos mais difíceis”, disse Amber Guthrie, coordenadora de comportamento e resgate dos Serviços de Animais do Condado de Anne Arundel. “Aqueles que estão completamente fechados, aterrorizados, caóticos, frenéticos e em pânico.”
Guthrie afirmou que muitos voluntários tiram folga para passar os feriados com a família, o que torna a presença constante de Genson ainda mais importante — embora não surpreendente. “Ele quase nunca tira férias”, disse.
Em uma publicação recente no Facebook, o abrigo destacou o trabalho voluntário de Genson e seu compromisso com os cães. Genson — que tem quatro cães resgatados em casa, incluindo Charli, hoje com 11 anos — afirmou que, mesmo nos dias em que está cansado ou ocupado, não é difícil encontrar motivação.